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“O Poço” – NOVA PRODUÇÃO ATERRORIZANTE DA NETFLIX COLOCA EM PAUTA A DESIGULDADE SOCIAL

Em tempos de crise e de Corona vírus, o filme sangrento do diretor Galder Gaztelu-Urrutia, ” O Poço” chega ao catálogo da Netflix no timing perfeito com a realidade,  como um verdadeiro soco no estomago. 

Durante o desenrolar da história e com uma grande dose de terror físico e psicológico nos vemos envolvidos em uma temática que bate constantemente nas mesmas teclas: empatia e solidariedade, duas coisas que estão em falta nos dias de hoje.

Para destrinchar a desigualdade social, uma das consequências mais cruéis do capitalismo, o roteiro usa uma metáfora simples que é facilmente entendida logo nos primeiros minutos de tela.

Em uma realidade utópica os criminosos são enviados a um local conhecido como o poço, que nada mais é do que um presídio. Entretanto, o diferencial do lugar é que ele funciona em um sistema vertical no qual em cada andar da torre dois presos são confinados juntos e devem esperar por uma plataforma de comida, que todos os dias desce gradativamente pelos níveis até atingir literalmente o fundo do poço.

Por ser extremamente profundo, a dinâmica da poço é bem clara: quem está em cima come melhor e quem está embaixo se contenta com restos, morre de fome, ou parte para medidas extremas em busca de sobrevivência.

O ambiente sombrio proposto pelo longa é preenchido pela história de Goreng, um homem que voluntariamente decide passar um período de seis meses na famosa prisão vertical.

Os aprendizados do protagonista se iniciam no nível 48 da torre, onde ele conhece Trimagasi, um senhor excêntrico que lhe explica as regras do local e também lhe mostra os primeiros sinais de como a fome é capaz de mexer com a sanidade mental do ser humano.

O Poço

Com um enredo pesado é possível afirmar, sem dúvidas alguma, que o filme espanhol se enquadra na categoria de filme de terror (dos bons!) com muito sangue, assassinatos, loucura e até mesmo canibalismo.

Porém, mesmo que em alguns momentos as cenas chocantes tirem o foco do expectador da verdadeira proposta do roteiro, a narrativa não perde força, pois acompanhamos tudo pela perspectiva do protagonista Goreng, um dos poucos personagens que se incomoda com aquele universo ao ponto de querer desconstruir aquele sistema injusto.

A produção acerta em cheio na fotografia cinzenta, minimalista e suja, assim como também acerta na escolha de elenco e na decisão de construir personagens intrigantes que sobem e descem na estrutura da prisão e movimentam muito bem o ritmo do filme que se passa todo em um único ambiente.

A produção enigmática é de livre interpretação e divide opiniões, afinal quase todo filme que tenta provocar no público uma reflexão mais profunda se apoia na ambiguidade.

Portanto, com certeza, O poço é aquele tipo de filme necessário que fica martelando na cabeça do público por dias. Com muita desenvoltura o novo longa metragem da Netflix dá luz a um tema sério.

De maneira extrema, o filme mostra o lado mais monstruoso e egoísta do ser humano, assim como o lado mais puro daqueles que não se deixam corromper inteiramente pela maldade e injustiça.

  

 

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