IBT - Instituto Brasileiro de Teatro

Espetáculo de Caryl Churchill com estreia no MASP marca o nascimento do IBT – Instituto Brasileiro de Teatro 

Organização sem fins lucrativos que gera uma conexão entre a iniciativa privada, as produções teatrais e o público, o IBT é lançado com a estreia de “Diabinho e outras peças curtas de Caryl Churchill”
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Elenco do espetáculo “Diabinho e outras peças curtas de Caryl Churchill”, primeira montagem do IBT | Foto: Gabriel Bianchini

No elenco estão os atores Noemi Marinho, Norival Rizzo, Elisa Volpatto, Johnnas Oliva, Mayara Constantino e Rafael Pimenta sob direção de Guto Portugal. A estreia acontece dia 15 de abril de 2022 no Teatro do MASP com ingressos a 1kg de alimento não perecível.

Com o objetivo de popularizar o teatro no Brasil, nasce o IBT – Instituto Brasileiro de Teatro. Formado pelos artistas Guto Portugal, Elisa Volpatto, Oliver Tibeau, Samya Pascotto e José Aragão, a organização sem fins lucrativos surge com a proposta de ser mais uma alternativa para fazer a ponte entre três forças poderosas: a sociedade, o teatro e a iniciativa privada. “Forças que já têm tudo a ver, mas não sabem muito bem como começar essa conversa”, comentam. 

A proposta é a seguinte: 

  • Todos os espetáculos produzidos pelo IBT são acessíveis – preços populares ou fila democrática onde cada um paga o que pode e quem tem condições também pode pagar por quem não tem. No caso de Diabinho e outras peças curtas, 100% dos ingressos serão distribuídos com 1 hora de antecedência e é solicitada a doação de 1kg de alimento não perecível por pessoa, destinado à ONG Banco de Alimentos. “Desta forma, proporcionamos uma opção de lazer e cultura à população sem que isso comprometa seu orçamento familiar já tão apertado, principalmente depois de uma pandemia.” 
  • Toda a equipe do espetáculo é remunerada com dignidade e respeito ao ofício. “Atraindo investimentos por meio de um Instituto sem fins lucrativos, garantimos que todos os recursos permaneçam no teatro”. 
  • E, para conseguir os recursos, o IBT conecta as empresas com espetáculos marcantes, posicionadas como verdadeiras viabilizadoras de uma experiência pública, acessível e de qualidade, fomentando uma relação saudável entre marca e consumidor. “Uma conexão que ocorre em uma arena material, presencial, analógica, rara. Exposição que gera valor para nossos apoiadores”. 

Portanto, o surgimento do IBT é resultado da inquietude de seus fundadores frente à questão da popularização das artes cênicas no Brasil e da valorização dos artistas que produzem teatro no país. “Sentimos que há uma desconexão entre o teatro, seus viabilizadores e o público e pensamos que, nessa relação tripla, se organizar bem, todo mundo ganha.

“O IBT se propõe a ser mais uma alternativa para organizar essa relação, mais uma alternativa de viabilização do teatro no Brasil”, ressaltam os criadores. “E justamente em função disso entendemos que o IBT é muito maior do que Guto, Elisa, Oliver, Samya e José.  Ele pretende abarcar muita gente com o tempo e se associar a muitos grupos e artistas. IBT é nóis!”

Sobre o espetáculo de estreia

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Fundadores do IBT Elisa Volpatto, Oliver Tibeau, Guto Portugal, José Aragão e Samya Pascotto

Diabinho e outras peças curtas da dramaturga britânica Caryl Churchill, uma das maiores do teatro inglês, que vem radicalizando na forma e conteúdo desde a sua estreia nos anos 70, foi o espetáculo escolhido para a estreia do Instituto Brasileiro de Teatro. São quatro peças curtas de humor ácido. A primeira montagem da peça estreou em 2019 no Royal Court Theatre, em Londres, e essa é a primeira tradução e montagem desses textos no Brasil.

A temporada começa no dia 15 de abril de 2022, no Teatro do MASP, com direção de Guto Portugal, tradução de Zé Roberto Valente e os atores Noemi Marinho, Norival Rizzo, Elisa Volpatto, Johnnas Oliva, Mayara Constantino e Rafael Pimenta no elenco. Wagner Antônio (cenário e luz), Flora Belotti e Rogério Romualdo (figurino) e Edson Secco (composição original de trilha sonora) completam a ficha técnica.

Caryl Churchill, que completa 84 anos em 2022, disse que dramaturgos não devem dar respostas, mas sim fazer perguntas. E é isso que impressiona o diretor Guto Portugal em seus textos. “A capacidade de levantar questões profundas de forma irreverente, sem nunca ir para o óbvio – convidando o público a completar a narrativa junto com ela. Por meio de uma escrita ágil, surreal e provocadora, ela nos transporta para um universo próprio, que nos indaga novas perguntas para velhas questões humanas”, comenta. 

“Os textos de Diabinho e outras peças curtas fazem a gente rir em muitos momentos. “Mas muitas vezes é um riso de nervoso, do absurdo da situação. Mas eu só consigo rir daquilo que compreendo, daquilo com o qual me identifico. E essa é a loucura. A genialidade de Caryl está em fazer com que as pessoas reflitam sobre algo que elas mesmas fazem através do riso, do estranhamento”. 

Por meio de quatro peças, Caryl aborda a banalidade do mal, tema que nunca pareceu tão atual no nosso cenário político brasileiro e mundial. “E ainda provoca um questionamento sobre as nossas crenças e como agimos em função delas. O que eu acredito ou não e por quê? E o que essa crença faz de mim? Existem forças maiores no universo? São algumas provocações das quais não há como sair ileso”, comenta Guto.

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Elenco do espetáculo “Diabinho e outras peças curtas de Caryl Churchill”, primeira montagem do IBT | Foto: Gabriel Bianchini

Essa é a terceira parceria artística entre Guto Portugal e Elisa Volpatto – já escreveram juntos um curta-metragem e Guto já a dirigiu em outro espetáculo. Para completar o elenco, o diretor chamou Johnnas Oliva, Rafael Pimenta e Mayara Constantino. Mas a voz da experiência do grupo cabe à dupla de contemporâneos Noemi Marinho e Norival Rizzo: “são extraordinários, os pilares da peça que estamos montando. A cada ensaio é como se tivéssemos uma aula de sensibilidade com eles”, finaliza.

Sinopse 

Quatro peças curtas da dramaturga britânica Caryl Churchill. “Vidro”, a primeira, é a história de uma menina feita de vidro que se depara com a questão da fragilidade imposta a ela pela sociedade. Em “Matar”os deuses discorrem com ironia sobre os mitos gregos, questionando sobre sua responsabilidade nos atos de violência históricos praticados pelos seres humanos.

Em“Barba Azul”um grupo de amigos se reúne para beber, numa conversa divertida sobre seu amigo de longa data, recentemente condenado pelo assassinato de suas esposas. “Diabinho”, a última das histórias, brinca com a questão da crença ao apresentar personagens que estão o tempo todo afirmando e também duvidando da existência de algo que vai além da sua compreensão – como a presença de um diabinho dentro de uma garrafa.

Ficha Técnica
Texto: Caryl Churchill
Tradução: Zé Roberto Valente
Direção: Guto Portugal

Elenco:
Noemi Marinho
Norival Rizzo
Elisa Volpatto
Johnnas Oliva
Mayara Constantino
Rafael Pimenta

Stand-in: Oliver Tibeau
Assistente de direção e View Points: Oliver Tibeau
Cenário e Luz: Wagner Antônio
Cenógrafa Adjunta: Stéphanie Fretin
Assistente de iluminação: Dimitri Luppi
Figurino: Flora Belotti e Rogério Romualdo
Composição Original de Trilha Sonora: Edson Secco
Fotos de Divulgação: Gabriel Bianchini
Produção Administrativa e Financeira: José Augusto Aragão 
Direção de produção: Selene Marinho
Produção executiva: Marcela Horta
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Realização: Instituto Brasileiro de Teatro
Produção: SM Arte e Cultura

SERVIÇO
De 15 de abril a 5 de junho
Teatro do MASP – Av. Paulista 1578 – Bela Vista
Sextas e sábados 20:30h
Domingos 19h
Ingressos: 1kg de alimento não perecível


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