
Hokum: O Pesadelo da Bruxa — Um “Game Over” Antes Mesmo de Começar?
A nova aposta de terror psicológico “Hokum: Pesadelo da Bruxa” chega prometendo tudo, mas entrega um roteiro com falhas críticas que podem decepcionar os fãs mais exigentes
Se você é do tipo que adora teorizar sobre a mitologia de um filme ou buscar cada detalhe da origem de um vilão, prepare-se: Hokum: O Pesadelo da Bruxa pode ser um desafio de paciência. O longa, que surge com a promessa de ser um terror atmosférico e denso, acaba tropeçando na própria execução. Para quem esperava um universo bem construído ao estilo dos grandes clássicos de bruxaria modernos, a sensação final é a de ter jogado uma campanha inteira e percebido que os desenvolvedores esqueceram de incluir as cenas de história.
Uma Premissa de Redenção que se Perde no Caminho
A trama nos apresenta ao protagonista em uma jornada extremamente pessoal e melancólica. Ele decide partir para uma floresta isolada com um objetivo claro: jogar as cinzas de seus pais em uma árvore específica, local que guarda uma foto de infância e a memória de sua mãe. Há um peso emocional aqui, já que a morte dela ocorreu de forma acidental e o personagem carrega a culpa desse “erro de script” do passado em seus ombros.
A ideia de usar o luto como motor para o terror é um terreno fértil, mas em Hokum, esse motor simplesmente não liga. O filme tenta criar uma atmosfera de suspense, mas a narrativa sofre com um roteiro fraco que parece não ter um começo, meio e fim definidos. As cenas se sucedem sem uma conexão lógica forte, deixando o espectador em um limbo narrativo que prejudica a imersão.
O Mistério que não Entrega a Mitologia
O maior problema do longa, no entanto, reside na sua antagonista. O título nos vende o “Pesadelo da Bruxa”, mas o filme falha em entregar qualquer substância sobre ela. Durante toda a projeção, ficamos órfãos de explicações básicas: Quem é essa bruxa? Qual a origem dos seus poderes? O que exatamente é o tal “pesadelo” mencionado?
Para o público nerd, que costuma valorizar um worldbuilding sólido e regras claras dentro de um universo fantástico, esse vazio é frustrante. É como enfrentar um “Boss” em um jogo sem ter acesso aos arquivos que explicam por que ele está ali. No fim das contas, a obra aposta em uma figura que deveria causar medo pelo desconhecido, mas acaba causando apenas confusão por falta de definição.
Veredito: Por que ficar de olho?
Apesar das críticas severas ao roteiro, o público do Nerd Recomenda pode se interessar por Hokum se quiser analisar o uso da fotografia e do isolamento como ferramentas de gênero. É um filme para quem gosta de estudar como o cinema de terror independente tenta se distanciar dos clichês, mesmo quando o resultado final não atinge o nível esperado. É mais um exercício de atmosfera do que uma história completa.
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