Trilogia Contra a Violência

ATUALIZAÇÃO: Trilogia Contra a Violência traz os espetáculos Fóssil, A Última Dança e Carmen para uma mostra online

Gratuita, a mostra tem duração de uma semana, de 5 a 10 de junho

Os espetáculos da Trilogia Contra a Violência já fizeram temporadas presenciais com sucesso de público e crítica, e agora chegam às suas versões online, compondo a Trilogia Contra a Violência, já que todos abordam aspectos de violência e opressão social contra a mulher em épocas e contextos muito diferentes entre si.

Como idealizadora, Natalia Gonsales, atriz e responsável pela produtora cultural Bem Casado Produções Artísticas, tem constante pesquisa sobre personalidades e fatos que desafiam a ordem imposta, sempre pela perspectiva do feminino, misturando teatro, audiovisual e dança, realiza espetáculos por todo o Brasil, como: “Festa”, de Marcelo Soler, direção Lana Sultani estreou em 2013 no CCBB de SP; “A Última Dança”, “Chuva Não. Tempestade!” de Franz Kepler, direção Rafael Primot; “Fala Comigo antes da Bomba Cair” de Mario Bortolotto e Tennessee Williams, direção Carla Candiotto. No ano de 2017, o espetáculo “Carmen” tornou a personagem feminina (Carmen) narradora de sua própria tragédia dando a ela voz e representatividade. Em 2020, estreou o espetáculo “Fóssil” sobre a Revolução de Rojava que acontece hoje no norte da Síria e tem forte atuação das mulheres.

Trilogia Contra a Violência - Nerd Recomenda
Fóssil | Foto: Matheus José Maria
Sobre FÓSSIL – dia 09 e 10 de junho às 19h

Criado a partir da pesquisa de três anos desenvolvida por Natália e pela dramaturga Marina Corazza a respeito do povo curdo e da revolução de Rojava, na Síria, a peça com direção de Sandra Coverloni estreou no Sesc Pompeia no início de 2020 tendo grande repercussão de público e crítica, com todas as apresentações lotadas. Seguiu para temporada no Teatro Aliança Francesa, que foi interrompida por conta da pandemia gerada pelo covid-19. Em agosto de 2020 com o cenário no teatro, realizou 3 apresentações online pelo Festival Palco Presente da Secretaria Municipal de Cultura.

A peça se passa dentro da sala de Luiz Henrique (Flávio Tolezani), diretor da maior empresa de gás liquefeito de petróleo. Anna (Natalia Gonsales), uma jovem cineasta, vai ao seu encontro em busca de recursos para a realização de um filme sobre a Revolução de Rojava, no norte da Síria.

A cineasta narra o roteiro de seu filme e a importância político-social deste, cruzando histórias de mulheres curdas torturadas da Síria com memórias de mulheres na ditadura brasileira de 64. “Ao olhar para nós à luz dessa revolução, vemos as mulheres que nos geraram, e antes delas, as que geraram nossas mães, e antes delas, as outras, e as outras, e as outras e todas nós.

Ao olhar para nós à luz da Revolução de Rojava, sabemos que queremos e que podemos acreditar em utopias por meio de um trabalho diário que deixe nascer outras formas mais justas e libertárias de se pensar e viver.” Comenta a dramaturga Marina Corazza.  

“Encenar a luta curda pela democracia revela contradições do sistema democrático ocidental que se apresenta na forma atual do patriarcado, sustentado pelo Estado e pela hierarquia. A forma de Estado-Nação aliado ao Capitalismo é um modelo baseado nas dominações de classe, gênero, etnia e religião associado à competitividade econômica, impossibilitando assim, que a nação alcance os objetivos de liberdade, igualdade e justiça social” explica Natalia.

A encenação de Sandra Corveloni propõe um encontro entre teatro e audiovisual tendo projeções sensitivas e trilha sonora original de Marcelo Pellegrini, criando um clima de sala de cinema, para falar da Revolução de Rojava ou Confederalismo Democrático do Norte da Síria. 

Fóssil possui uma dramaturgia bastante profunda, com camadas de informações e sentimentos que aparecem à medida em que o texto avança. A montagem que é ao mesmo tempo teatral e cinematográfica, nos leva a refletir sobre questões como os direitos das mulheres, a democracia, as fronteiras e a arte“, comenta a diretora.

Trilogia Contra a Violência
A Última Dança | Foto: Divulgação
Sobre A ÚLTIMA DANÇA – dia 06 e 08 de junho às 19h

Monólogo inspirado no diário da escritora e filósofa francesa Simone Weil (1909-1943), “Expérience de la vie d’usine” (“Vivendo a vida da fábrica”) e nas pesquisas publicadas por Eclea Bosi (“Simone Weil – A condição operária e outros estudos sobre a opressão”).

O dramaturgo, diretor, coordenador do Núcleo de Dramaturgia do SESI, César Baptista é o responsável pela dramaturgia e adaptação do diário para o teatro.  Em cena, a atriz , ao lado de algumas máquinas de linha de produção que fazem parte do cenário assinado pelo cenógrafo, ator e diretor Flávio Tolezani narra não apenas a vida de Weil na fábrica, como também sua resistência às guerras e à força. A encenação foi toda construída a partir de seus relatos e cartas

A trilha é composta por ruídos das correias e barulhos de macetadas. Outras manifestações sonoras do ambiente fabril são transformadas em músicas compostas pelo premiado compositor Daniel Maia

Simone Weil, nascida em 1909 em Paris, filha de médico judeu, aos vinte anos aluga um quartinho perto de uma fábrica, despede-se de seus pais, amigos e do ensino da filosofia para trabalhar nas linhas de montagem com o objetivo de vivenciar a condição operária e a opressão social.

Com essa vivencia, Simone deixa uma espécie de diário relatando o seu dia a dia na fábrica: o calor do forno, as labaredas, o barulho terrível da caldeiraria, os acidentes, as doenças, as ordens, o medo, o ritmo crescente do trabalho, o esgotamento, o envelhecimento, a infelicidade e a fome. 

Trilogia Contra a Violência
Carmem | Foto: Ronaldo Gutierrez
Sobre CARMEN – dia 05 e 07 de junho às 19h

Em junho de 2017 o espetáculo escrito por Luiz Farina estreou na cidade de São Paulo, no Teatro Aliança Francesa. Baseado na novela original CARMEN de Prosper Mérimée, escrita 1845, na qual Georges Bizet se inspirou para a criação da Ópera Carmen. A história é contada por três atores: Natalia Gonsales, Flávio Tolezani e Vitor Vieira, com direção de Nelson Baskerville

Admiração, pulsão, curiosidade, interesse pela cultura cigana e pela personagem CARMEN foram fundamentais para essa iniciativa artística. O desejo impulsionou a ideia e a vontade de levar essa personagem, carregada de uma forte personalidade e de uma trágica história, ao teatro. Uma dramaturgia clássica merece ser conhecida, visitada, discutida e revisitada.

Pois, quando são vivenciadas de fato, mais se revelam inesperadas e inéditas. Um clássico é uma história que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer e que, por isso, atravessa o tempo e atualiza questões verdadeiramente fundamentais à existência. E assim, a partir da obra de Mérimée, Luiz Farina com o objetivo de dar voz a Mulher, apresenta Carmen também como narradora da sua tragédia. 

“Uma história contada e recontada nas mais variadas formas e gêneros, surgiu como novela em 1845 e já foi filme, ópera e novela nas mãos de grandes mestres. Um clássico. A pergunta recorrente que todos se fazem ao remontar a peça é: por que fazê-la? Para mim, porque pessoas continuam morrendo por isso e precisamos recontar a história até que não sobre nenhuma gota de dor.

Na atual encenação elementos clássicos como a dança flamenca, os costumes ciganos, a tauromaquia, entre outros, são re-significados ao som de guitarras distorcidas, microfones e coreografias, para que não reste dúvida de que estamos repetindo histórias tristes de amor, de paixões destruidoras”, comentou o diretor Nelson Baskerville.

Assim, continuou: “O ponto de vista que nos interessa é o de Carmen, a mulher assassinada, dentro de uma sociedade que pouco mudou de comportamento ao longo dos séculos, que aceitou brandamente crimes famosos cometidos contra mulheres como os de Doca Street, Lindomar Castilho e mais recentemente de Bruno, o goleiro, crimes muitas vezes justificados pela população pelo comportamento lascivo das vítimas, como se isso não fosse aceito em situações invertidas relativas ao comportamento masculino”.

Então, finalizou: “O homem pode. A mulher não. Nessa encenação, Carmen morre não porque seu comportamento justifique qualquer tipo de punição, mas porque José é um homem, como tanto outros, doente como a sociedade que o criou”.

SERVIÇO:

Temporada: de 05 a 10 de junho às 19h

Gratuito

Transmissão: https://www.youtube.com/aliancafrancesa

Fóssil – 09 e 10 de junho às 19h

A Última Dança – 06 e 08 de junho às 19h

Carmen – 05 e 07 de junho às 19h

Este projeto foi contemplado pelo EDITAL PROAC EXPRESSO LEI ALDIR BLANC Nº 47/2020 “PRÊMIO POR HISTÓRICO DE REALIZAÇÃO EM TEATRO”.


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