
POV: Presença Oculta — Inovação Visual ou Apenas um Lag no Terror?
O novo thriller “POV: Presença Oculta” da Imagem Filmes aposta na perspectiva de FPS, mas entrega um roteiro com pouco rendimento e sustos que não carregam
Fomos convidados pela Imagem Filmes para conferir a cabine de imprensa de POV: Presença Oculta no charmoso Cine Marquise, e a expectativa estava alta. O trailer prometia uma experiência imersiva e aterrorizante, vendendo aquele hype de que estaríamos diante de algo inovador no gênero. No entanto, após subirem os créditos, a sensação que fica é a de um jogo que tem gráficos interessantes, mas uma jogabilidade repetitiva e uma história que não entrega o boss final que esperávamos.
Um Gameplay de Respeito, mas Sem Roteiro
O grande diferencial e, honestamente, o ponto mais alto do filme é a sua estética. Para quem cresceu jogando Counter-Strike ou shooters táticos como Ready or Not, a experiência visual é familiar: 99% do longa é filmado em primeira pessoa, utilizando as body cams (câmeras corporais) presas aos coletes dos policiais.
Essa escolha de direção cria um setup de imersão muito forte no início. Você se sente dentro da viatura, participando da invasão e limpando os cômodos com a lanterna da arma. É um deleite para quem gosta de linguagem de games, trazendo uma perspectiva crua e claustrofóbica que raramente vemos no cinema de terror de forma tão constante. Se o filme fosse julgado apenas pelo esforço técnico de manter essa visão, ele ganharia muitos pontos de experiência.
O Mistério de “Ele” e o Problema Final
Infelizmente, um bom visual não segura a narrativa se a lore for rasa. Durante toda a projeção, somos apresentados a uma entidade ou ameaça referida apenas como “Ele”. O problema é que o roteiro mantém um mistério que beira o frustrante. Não há desenvolvimento, não há explicação e, quando finalmente chegamos ao clímax, o que vemos é uma figura horrenda, porém indefinida.
O filme tenta vender o medo do desconhecido — um conceito clássico do terror cósmico ou Lovecraftiano —, mas aqui soa mais como falta de definição criativa. O espectador termina a sessão sem saber exatamente contra o que os protagonistas estavam lutando. Além disso, a obra abusa de jump scares que, para o público mais experiente no gênero, acabam não funcionando. São sustos previsíveis que tentam compensar a falta de tensão psicológica real. No fim das contas, o trailer entregou muito mais adrenalina do que o corte final do longa.
Mas “POV: Presença Oculta” vale o Check-in?
POV: Presença Oculta é uma experiência válida para quem tem curiosidade técnica sobre como o cinema pode emular a visão de um FPS (First Person Shooter). É um exercício de estilo interessante que merece ser observado por estudantes de cinema e fãs de games. Porém, se você busca um terror com roteiro amarrado e sustos genuínos, talvez sinta que o filme ficou devendo em diversos frames.
E você, curte filmes que usam a perspectiva em primeira pessoa ou prefere o estilo tradicional? Acha que o “medo do desconhecido” funciona no cinema atual? Conta pra gente nos comentários!
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