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Consequências de um Crime: A dinâmica familiar em “Defending Jacob”

“Parecia que estávamos velejando rumo a um iceberg. Um pequeno cume branco à distância, se aproximando cada vez mais… mas ele sempre esteve abaixo de nós.”

Um assassinato. Dois suspeitos. Uma família em foco. Esses são alguns dos pilares da minissérie da Apple TV+ baseada no livro de William Landay e lançada em 2020 chamada “Em Defesa de Jacob” (Defending Jacob, no original).

Já fazia um tempo que eu estava curioso em relação a essa série e, felizmente, pude conferi-la este mês, então, hoje vou falar um pouco sobre o que eu achei da produção que, apesar de ter um ótimo desenvolvimento, teve um final que não agradou a todos.

É importante frisar que apesar do crime ser o principal fio condutor da série, o objetivo aqui não é de fato descobrir quem cometeu tal atrocidade, mas sim observar a dinâmica familiar sendo redefinida constantemente conforme a investigação avança e novas provas vão surgindo. Então, sem mais delongas, vamos começar falando daqueles que compõem a Família Barber, os personagens principais dessa história.

defending jacob
A Família Barber | Apple TV+

Temos aqui nosso querido “Capitão América”, Chris Evans interpretando Andy Barber, o pai que acredita cegamente que seu filho é inocente; Michelle Dockery, que fez sucesso na aclamada série dramática “Downton Abbey” interpretando Laurie Barber que, sem dúvidas, é uma das personagens mais afetadas em toda a história e, por fim, Jaeden Martell que ficou em evidência por seu papel na franquia “IT – A Coisa”, interpretando o adolescente de 14 anos Jacob Barber, o principal suspeito do assassinato de Ben Rifkin.

Como toda produção centrada no mistério e no suspense, um dos pontos bacanas aqui são as constantes dúvidas que nos rodeiam. Por que Jacob mataria seu colega de classe? Por que estão investigando um garoto de 14 anos quando existe um pedófilo que frequentava o mesmo parque onde o corpo foi encontrado? Por que Laurie, a mãe de Jacob, parece desconfiar da inocência de seu próprio filho? E por que Andy, em seu depoimento, utiliza termos do passado para se referir a sua própria família?

Cinco motivos para ver Defending Jacob, série da Apple TV+ com Chris Evans
Cena de “Defending Jacob” | Apple TV+

Essas são apenas algumas das perguntas que vão surgindo em nós, espectadores, conforme acompanhamos a série e com certeza um dos principais motivos por nos manter tão conectados a ela, porque quando você acha que tem certeza de algo, aparece uma nova prova que te leva à estaca zero novamente ou faz você voltar as suas próprias suspeitas para outro personagem, tanto é que em certo ponto eu já duvidava até da própria mãe do rapaz.

E falando nela, Laurie que tinha uma vida aparentemente feliz e satisfeita com seu emprego, chega ao seu limite quando começa a revisitar memórias de seu passado onde o Jacob não parecia ser um grande exemplo de “bom menino” na infância, levando a mulher a entrar em uma avalanche de sentimentos ao passo que também descobre novas informações sobre a família de seu marido.

Michelle Dockery faz um ótimo trabalho transparecendo toda a angústia, preocupação e desespero de uma mãe que chega a conclusão de que não conhece o próprio filho e que tem medo de não ter dado a devida atenção aos sinais que recebeu.

Chris Evans and Michelle Dockery on Defending Jacob | Vanity Fair
Chris Evans e Michelle Dockery em “Defending Jacob” | Apple TV+

Em contrapartida temos Andy, um promotor respeitado que, após ser afastado do “Caso Rifkin” por motivos óbvios, se recusa a crer que Jacob possa ter cometido tal ato e que, diferente de sua esposa, acredita que o rapaz foi uma criança normal, como qualquer outra e agora ele corre contra o tempo para provar que o real assassino seria Leonard Patz, um predador sexual.

Depois de basicamente uma década envolvido nas adaptações de histórias em quadrinhos para as telonas, Chris Evans nos traz uma performance dramática muito interessante, fugindo do heroísmo e frases de efeito, dando espaço para um pai determinado que, após ter o seu segredo mais bem guardado revelado, tem que lidar com as questões de seu passado e do seu presente simultaneamente.

E no centro de tudo isso, temos o jovem Jacob. Um garoto que aparenta ter poucos amigos e que, de repente, se vê passando a noite na cadeia. Além de ver seus itens pessoais sendo confiscados pela polícia para fins de investigação, alguns conteúdos um tanto quanto perturbadores vão surgindo no decorrer do caso e algumas atitudes controversas do próprio rapaz dificultam o trabalho da defesa em provar sua inocência perante o júri.

Jaeden Martell dá um show de atuação fazendo com que em um momento acreditemos que ele é apenas um jovem tímido, porém nada fora do normal e, no instante seguinte, sua feição nos passa a sensação de ser alguém totalmente frio e indiferente a toda a situação na qual está envolvido.

Jaeden Martell em Defending Jacob
Jaeden Martell como Jacob Barber em momentos diferentes de “Defending Jacob” | Apple TV+

Então, como podem ver, nem tudo é o que parece nessa série e essa ambiguidade é levada até os últimos segundos da produção o que pode ter frustrado uma parcela de seus espectadores já que algumas das pontas soltas não são de fato resolvidas, deixando que a imaginação daquele que a assiste trabalhe para preencher essas lacunas e tirar suas próprias conclusões.

A meu ver, esse é um ponto positivo dessa produção em específico, por que vamos combinar, um filme ou série que nos entrega tudo de “mão beijada” não tem tanta graça assim, não é? Então por mais que tenhamos momentos expositivos aqui, “Em Defesa de Jacob” não foi criada pra te dar todas as respostas.

Ao invés disso, essa produção foi criada para nos mostrar como uma mentira, por menor que seja, pode ter sérias consequências no futuro e como isso pode desestabilizar qualquer base de confiança que os integrantes de uma família poderia ter e estando envolvido em uma situação tão tensa como essa, além de tudo ser amplificado pelo estresse e nervosismo, você perder esse precioso artificio pode ser desastroso.

E vemos isso exposto a medida que a série vai avançando, mostrando que mesmo que a família tente manter uma rotina normal e “feliz” como era antes, se torna quase impossível sustentar esse papel e fingir que nada está havendo e é nesse cenário que as discussões começam e, pouco a pouco, o laço que antes unia esses membros vai sendo arruinado.

Em Defesa de Jacob - Mais Que Cinema
Cena de “Defending Jacob” | Apple TV+

Então, diferente de outras séries criminais onde o foco sempre é a resolução do caso, “Em Defesa de Jacob” faz questão de concentrar suas atenções na família, em quanto uma acusação dessas pode afetar as relações desses membros com as pessoas a sua volta e, por que não, em quanto a mídia pode se aproveitar desse momento de fragilidade dos envolvidos para conseguir audiência.

Se você está buscando uma série com um roteiro que vai bagunçar a sua cabeça, te fazer criar teorias e deixar pensativo sobre o que de fato aconteceu, essa aqui pode ser uma boa pedida. Se isso não for o suficiente, então veja pelas ótimas atuações do trio principal e pela ótima direção do cineasta norueguês Morten Tyldum.

Ainda não te convenci? Então digo que a trilha sonora e a fotografia também valem muito a pena graças a qualidade e em como ambas foram bem trabalhadas contribuindo positivamente para a trama. E, para a minha cartada final, “Em Defesa de Jacob” conta com apenas 8 episódios, ou seja, em apenas um fim de semana você já consegue finalizar essa história.

Então, não deixe de conferir essa obra, no final você vai estar no mínimo intrigado com todos os acontecimentos e talvez se fazendo a mesma pergunta que está no verso do livro no qual essa produção se baseia: “Até onde você iria para defender o seu filho?”.

Texto Elaborado por Jamerson Nascimento.


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