
O Sono da Morte – Um terror repleto de significados
Produção de 2016, “O Sono da Morte” é um ótimo achado entre o catálogo de terror na Netflix

Escolher uma produção dentro de um catálogo repleto de opções para assistir e passar o tempo é como que jogar na sorte, quando você sabe o resultado apenas no final. Você pode escolher um filme que vai se arrepender de ter assistido, ou pode achar aquela obra que te faz ficar impressionado quando acaba. “O Sono da Morte” foi uma que se encaixou nessa última escolha, sendo um filme impressionante, assustador, e com muitas mensagens bem trabalhadas em sua narrativa.
Na história, Cody é um menino órfão que já passou por diversos casais de adoção até ser adotado por Jessie e Mark, que ainda não superaram a perda de seu único e pequeno filho. Com o tempo, o casal percebe que Cody é capaz de projetar o que está sonhando no mundo real. Assim, Jessie começa a fazer com que o menino projete a imagem de seu falecido filho para que ela, junto com o marido, consigam tocar e ver seu menino.
Porém, assim como Cody tem sonhos bons, ele também tem pesadelos, e quando eles ocorrem um ser desconhecido aparece, trazendo terror para os que estão em volta de Cody.

Diferente do que outras produções de terror fazem, “O Sono da Morte” se destaca pelas mensagens e referências que ele trás. A ideia do filme parece se assemelhar muito com produções como “A Hora do Pesadelo” e “Caso 39”, mas os significados presentes na narrativa te fazem ver esses filmes apenas como pequenas pontas de referência, onde novos elementos são acrescentados e chamam a atenção pela ligação que fazem com a história.
Quando Cody dorme, o primeiro indício de que ele está projetando um sonho é o surgimento de borboletas com as cores azul, amarela e outras, mas quando ele está tendo um pesadelo, aparece a borboleta laranja, conhecida como borboleta monarca, que em muitas histórias e lendas trás o significado de morte.
Até mesmo a explicação da existência do monstro não é nada jogado ou aleatório. Ele é bem explicado e se encaixa na história do personagem Cody. Não que o monstro seja medonho de fato. Enquanto ele ficava meio que ocultado no escuro e tinha apenas sua silhueta revelada, o terror e medo dele, do desconhecido, era mais forte. Entretanto, quando sua real face é revelada, um pouco desse medo some, o que nos faz questionar se talvez a revelação do monstro não poderia ter sido deixada para bem no final da história.
ALERTA DE SPOILER

Outra significação presente no filme e que chama muita a atenção é a inversão que “O Sono da Morte” propõe. No filme, Cody não é o verdadeiro responsável por todo o mal trazido pelo monstro, mas sim as pessoas que cuidavam com ele, que não o amavam de verdade, e só queriam algo em troca. Isso foi o que fez despertar o monstro na mente de Cody.
A figura do monstro também é algo impressionante no filme. Somente no final nos é revelado que a aparência que esse ser do mal tinha era baseada na mãe de Cody, que sofria de câncer e estava com o físico totalmente abalado, seco e vazio. Seu filho, ainda pequeno, vendo a mãe nessas condições, apenas projetou em sua mente a visão que tinha dela, mas sem entender o que estava acontecendo. Isso foi algo que mudou totalmente a narrativa do filme, saindo do terror para o drama em questão de minutos, nos fazendo perceber que é mesmo o desconhecido aquilo que nos desperta medo.
FIM DO SPOILER
Com Jacob Tremblay, Kate Bosworth, Thomas Jane, Annabeth Gish e Dash Mihok, “O Sono da Morte” é um filme que impressiona pela sua história e até mesmo pelo terror presente. Não que ele seja algo inovador, mas que consegue trabalhar bem dentro do seu gênero e ainda apresentar boas ideias que chamam a atenção para sua história, fazendo com que o público não o procure apenas pelo susto, mas pela narrativa.
*Texto escrito por Renata da Silva
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