Pousando no amor

Pousando no amor… e em um monte de problemas

Um envolvimento proibido entre Coréia do Sul e do Norte

Netflix faz uma aposta certeira trazendo “Pousando no Amor” (ou “Crash Landing on You”, como é conhecido), um dorama sul-coreano que explora a relação entre personagens de ambas as Coreias e as tensões entre os dois países. Não é à toa que se tornou o drama da emissora tvN de maior audiência e a terceira melhor audiência da televisão a cabo coreana.

Pousando no amor

Bora para a história. Tudo começa com uma chaebol (lê-se CEO de uma companhia, dona de vários conglomerados, ex: Samsung) sul coreana, Yoon Se-ri (Son Ye-jin), que resolve saltar de parapente em Seul, para testar um de seus novos produtos, e até aí tranquilo.

Com aquele empurrãozinho do destino, um furacão se forma, do nada, e Se-ri é jogada para longe, acabando presa em uma árvore, bem na zona desmilitarizada*, do lado da Coréia do Norte. Lá ela conhece Ri Jeong-hyuk (Hyun Bin), capitão da força policial especial da Coreia do Norte que, entre vários problemas, resolve ajudá-la a fugir de volta para a Coréia do Sul.

Ponto de explicação rápida*: caso não saibam, a zona desmilitarizada é uma barreira fronteiriça que divide a península coreana pela metade e que serve pra contenção militar, sendo despovoada e só podendo ser acessada por permissão do governo norte ou sul-coreano. Nessa área, a atividade militar é proibida, devido a um acordo de armistício firmado entre as Coreias e a China, que pôs um fim na Guerra da Coréia, em 1953.

Voltando ao dorama, que é o que importa, é claro que o romance não vai falhar em aparecer (tá no título, né?). No começo do dorama, o foco principal é ajudar a Se-ri a volta para Seul despercebida pelas autoridades norte coreanas. As situações acabam aproximando o casal principal, mas, como sempre, temos o fator triângulo romântico pra atrapalhar todos (aqui me contenho pra não espalhar spoilers).

Pousando no amor

Podemos dizer que o dorama se divide em duas partes, metade dele são os dois fazendo de tudo pra Se-ri conseguir voltar para Coréia do Sul, mas a volta dela não quer dizer que tudo terminou bem e final feliz (senão não teria história suficiente né). A segunda metade da história vai trabalhar mais o papel do “vilão” do dorama e como ele afeta a vida dos personagens (você fica torcendo pra que ele se dê mal logo).

A personalidade também é um fator de mudança ao longo do dorama. Se-ri era a típica riquinha mimada que se vê obrigada a se adaptar ao estilo de vida simples de uma pequena vila da Coréia do norte. Ainda que ela seja mimada, não pense que ela faz o estilo rica e burra, afinal ela não é CEO à toa. Esse é outro ponto que vai se desenvolvendo na história, já que sua família a despreza, ainda mais depois que seu pai decidiu que ela seria a melhor escolha como sucessora dele, ao invés de seus irmãos (imaginem a felicidade deles quando ela “some” do nada).

Pousando no amor

Como sempre, gosto de mencionar os personagens secundários que ficam responsáveis por direcionar o nosso ódio (quem será?) e por trazer o alívio cômico para a história, como um soldado que assiste doramas sul coreanos escondidos e umas senhoras, vizinhas de Jeong-hyuk que adoram bajulá-lo e cuidar da vida alheia. Me lembrou muito o grupo de senhoras do dorama “Para Sempre Camélia” porque o esquema é o mesmo, um bairro onde elas se ajudam e “controlam” o que acontece por lá (até uma das atrizes é a mesma do outro dorama).

Vou deixar aqui registrado que temos uma bela presença, fazendo participação especial no finalzinho de um dos episódios (só quem viveu sabe). Se estiver curioso, deixo esse spoiler* separado ali no final!

Pousando no amor

Pousando no Amor conta com 16 episódios e é inspirado em um caso real de 2008, onde uma atriz sul coreana (Jung Yang) e mais três pessoas foram resgatadas, depois que um nevoeiro fez com que seu barco chegasse à fronteira marítima entre os dois países. Para melhor retratar a vida no Norte, o dorama contou com a participação de um desertor norte-coreano que se tornou consultor de cinema e do escritor Kwak Moon-wan, que estudou direção de cinema na Coreia do Norte e foi parte da força de segurança de elite do imperador.

É interessante perceber que, por retratarem a Coreia do Norte, várias coisas tiveram de ser meticulosamente pensadas e estudadas para não impactar no relacionamento entre os dois países na vida real. De pequenos adereços nos figurinos, até a forma de se referir aos líderes norte coreanos. Ainda assim, conseguiram passar a ideia de como é o dia a dia das pessoas que vivem por lá.

Que tal se jogar de cabeça nessa história que vai te prender até o último minuto?

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*Cantinho do spoiler

Não aguentou né, queridex? (sei como é)

Beleza, vem comigo. No episódio 10, bem no finalzinho, depois do encerramento, aparece ninguém menos que Kim Soo-Hyun, em uma interpretação rápida de um de seus antigos personagens, no filme “Secretly, Greatly” (2013), o agente norte-coreano Won Ryu-hwan, que vive disfarçado como um entregador burro, na Coreia do Sul.

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