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A Quinta Estação (N. K. Jemisin)

Isto é o que você deve se lembrar: o fim de uma história é apenas o começo de outra. Afinal, isso já aconteceu antes. Pessoas morrem. Velhas ordens passam. Novas sociedades nascem. Quando dizemos ‘o mundo acabou’, geralmente é mentira, porque o planeta está bem. Mas é assim que o mundo acaba. É assim que o mundo acaba. Pela última vez”. (A Quinta Estação – N. K. Jemisin)

 

Choro, dor e desespero. Se você é do tipo que gosta de histórias nas quais todo mundo sofre, passa por situações física e psicologicamente traumatizantes, e um final feliz parece tão impossível quanto convencer seu gato de que ele não é o centro do universo (o que ele certamente acharia inconcebível), eu imagino que A Quinta Estação seja o livro perfeito pra você.

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Capa do livro A Quinta Estação (Foto Divulgação)

Nesse primeiro volume da trilogia A Terra Partida, lançado pela editora Morro Branco em 2017, somos apresentado à Quietude, um mundo de silenciosa e amarga agonia, nas palavras da própria autora. Este é um mundo cujo interior encontra-se em constante movimentação, como se seus rios quentes de rocha derretida fossem as veias de uma entidade muito maior, o próprio planeta, também referido como o Pai Terra.

Essa movimentação constante, no entanto, a cada tantos séculos, é responsável por uma nova catástrofe natural, que dá origem a uma quinta estação. Marcadas por uma quantidade avassaladora de mortes, as quintas estações são um fantasma constante sobre a humanidade, que passou a depender do Saber das Pedras, regras que devem ser seguidas à risca para aumentar a chance de sobrevivência após cada catástrofe.

Alguns humanos nesse mundo, chamados orogenes, são capazes de se conectar ao planeta, alcançando sua essência rochosa, e dessa forma, controlar os movimentos da terra. Graças a seus serviços, catástrofes podem ser evitadas, assegurando que uma quinta estação não se inicie.

O enorme poder dos orogenes, no entanto, sempre foi motivo de temor. E o que o homem teme, sabemos, ele maltrata. Logo, toda uma mitologia é criada para que a humanidade acredite que orogenes são criaturas sem alma, detestadas pelo Pai Terra. Colocados nessa posição vergonhosa, os orogenes são controlados por todos os lados para nunca sair do controle, sob pena de morte.

 

Inverno, primavera, verão, outono; a Morte é a quinta e ocupa o trono.(A Quinta Estação – N. K. Jemisin)

 

Para ser bem sincera, não achei um mísero ponto que valesse crítica nessa história. Eu simplesmente adorei!

Tudo bem, essa coisa de classe subjulgada que na verdade é mais poderosa que a classe que subjulga não é novidade, eu sei, mas a forma como o mundo é criado, como a mitologia desse universo se mescla perfeitamente com o comportamento social dos personagens, e como conseguimos sentir o peso de suas relações de poder, é o que faz a história ganhar um tom de novidade.

No final, o que temos é uma fantasia adulta com elementos distópicos e de ficção científica que se conversam muito bem, dando origem a uma mitologia rica e uma trama que se utiliza maravilhosamente de todos os seus elementos, expandindo-os em cada capítulo.

As protagonistas são outro show à parte. Todas orogenes, só pra constar. 

Aqui seguimos Essun, uma mulher que acabou de ter seu filho assassinado pelo marido; Syenite, uma jovem com grandes ambições em busca de respeito e uma vida digna; e Damaya, uma criança que acabou de ser encontrada por um Guardião e começará sua vida no Fulcro, onde os orogenes são ensinados a controlar seus poderes e servir a humanidade.

No decorrer da trama vamos entendendo como essas três personagens estão interligadas, e como sua jornada é determinante para a chegada de uma nova quinta estação. Uma que promete ser a mais longa de todas, possivelmente erradicando os humanos de Quietude.

 

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Protagonistas de A Quinta Estação: Damaya, Syenite e Essun (arte por @spaceteatime)

 

Detalhes apocalípticos à parte, voltemos às protagonistas.

Cada uma delas tem em si aquela força bruta, principalmente emocional, que lembra a rocha na qual seus poderes se sustentam. A forma como vão desbravando seus arredores, entendendo seu lugar na sociedade e se revoltando com isso, é sufocante (de um jeito bom) e te deixa vidrado pra saber o que virá depois.

Ah, e não espere que elas sejam boazinhas sempre,ok? Aqui o negócio é bruto, e elas vão fazer o que acharem melhor, sem julgamentos de certo e errado. O que elas querem é sobreviver (ok, talvez a Syenite queria sobreviver e arrancar umas cabeças de gente arrogante por aí, mas isso é detalhe e eu aprendi a amar ela por isso kkkk).

A escrita da autora é repleta de frases não muito longas, que fazem a leitura correr como em pequenos socos de verdade na sua cara. Super pertinente com o clima da história. E apesar da brutalidade física de algumas cenas, o desespero que o livro passa é sempre muito mais psicológico, nos apresentando personagens presos aos fantasmas do seu passado, às suas horríveis perspectivas de futuro, e em constante estado de medo.

Basicamente, esse primeiro livro já me conquistou e eu quero muito saber a continuação dessa história, mesmo com as baixas perspectivas de final feliz. Recomendo fortemente A Quinta Estação se você está atrás de ter seu coração preenchido com um pouco que desesperança pela humanidade (de vez em quando faz bem kkk).

 

Classificação da Larissa (@cons.ciencialiteraria): 5 estrelas

 

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