LUKE CAGE

A força de Luke Cage

Criada pela Marvel, a série apresenta a força de Luke Cage, um ex prisioneiro que só quer viver em paz

Luke Cage (Mike Colter) é um homem grande e forte (bem forte) que trabalha na limpeza da Barbearia do Pop -uma zona neutra no Harlem, em Nova York- além de ser lavador de pratos na Harlem’s Paradise, a boate mais badalada da região. 

Contei esta parte (que não é spoiler nenhum) porque são nestes ambientes em que a série mais se passa. Além destes, incluam aí a 29ª Delegacia. Pois agora sigamos. 

Luke é meio caladão, não fala com o pai e a mãe faleceu vítima de câncer enquanto estavam separados. Esta dor e o fato de sua grande paixão também ser falecida, são alguns do traumas pouco desenvolvidos nas primeiras duas temporadas, mas vale à pena acompanhar o crescimento do personagem com a ajuda dos outros que convivem com ele. A força de Luke Cage

Um deles é o velho Pop (Frankie Faison), o dono da barbearia. O velhinho tem o espaço como um lugar respeitado no bairro, onde inclusive, não é permitido palavrões ou palavras feias, sob penalidade de pagar à “latinha do palavrão”. É um meio de Pop fazer com que os maus hábitos daquele lugar não entrem no ambiente em que frequentam crianças, políticos corruptos e grandes nomes da música black. 

E é nesse ambiente em que Luke se (re)descobre herói. Aliás, ele é meio que empurrado pelo Pop e o sentimento de “isso está errado” que é gigante dentro dele, maior até do que seus poderes. O barbeiro é um ex bandidão da região e mentor da maioria dos homens que entram ali e, quando um assalto dá errado envolvendo um dos tutelados de Pop, ele pede ajuda a Cage.

Se por um lado, “entra em confusão” a pedido do barbeiro, por outro, ele tenta não ser herói, não chamar atenção, apenas seguindo uma vida normal e tranquila. ~Na verdade, eu diria vida SEM GRAÇA E SEM EMOÇÃO. Mesmo sendo um cara negro, num bairro majoritariamente negro e de outras etnias desprivilegiadas. 

LUKE CAGE - vilão Boca de Algodão
Boca de Algodão é um dos vilões da série, mas odeia o apelido. Crédito: Reprodução.

A série é uma enxurrada de referências negras e marca os personagens por características pessoais, bem como a gente na “vida real”. Durante a produção, quem domina as ações ilícitas mais lucrativas do bairro, também se torna dono daquela balada que mencionei no início, a Harlem’s Paradise. O lugar é lindo mesmo, com ambientes secretos, vários andares, áreas vip e um escritório.

É nesse escritório em que parte da marca do personagem que manda na p*rra toda aparece. Não vou dizer quem para não desfazer o mistério das trocas de poder, mas por exemplo, o bandido inicial, Boca de Algodão, é um traficante de armas e o quadro exposto enquanto ele é dona da boate é o do Notorious B.I.G. (Biggie Smalls), rapper norte americano, conhecido pela Billboard, como melhor de todos os tempos na categoria. Enquanto um outro personagem, quando toma o poder, coloca o quadro de Marcus Garvey, que entre tantas coisas, foi um filósofo e ativista jamaicano, além de um comunicador que procurava restabelecer as potencialidades da África através da libertação dos países do continente colonizados pela Europa. 

~Bom, a cada quadro e personalidade no comando da boate, vemos a ligação entre ambos. É sutil, mas as ligações fazem total sentido.      

Desviando do ambiente heróico de Luke Cage, destaco as referências musicais e artísticas da série. Óbvio que não vamos conhecer todas as músicas e pessoas que são mencionadas na produção, mas é um banho de cultura negra para vários momentos. 

A força de Luke Cage
Luke é dotado de uma força sobre humana e pele inquebrável. Crédito: Reprodução.

Um deles é durante as lutas, o que não é uma novidade em obras de gênero heróico, mas neste caso, “não somos nós” quem ouvimos a trilha enquanto tudo acontece, e sim, Cage. Isso é porque em vários momentos ele está de fones de ouvido, além do típico casaco de capuz, como se estivesse se exercitando (e está, né?).

Outro momento de música é nas noites de show da boate: nos ensaios, tudo ok, lindo e ótimo. Mas quando a Harlem lota e o show começa, PODE TER CERTEZA de que vai dar alguma m*rda: alguém vai morrer ou apanhar muito. 

 ~ isso não é um spoiler. Observem e não tenham medo, haha 

Assista ao trailer:


Quanto a produção, é importante mencionar a riqueza de personagens e a evolução deles. Começando pela representatividade: 

Luke Cage é a história de um super herói negro (mesmo que ele não goste desse título) com um elenco quase todo negro também. Isso demonstra a riqueza da existência afroamericana que, na série, possui pessoas boas e ruins negras: vereadora negra, policial negra, traficante negro, barbeiro, músicos, advogado e várias outras atividades profissionais que quem assiste pode se reconhecer e acreditar que pode ir e ser quem quiser nesse mundo. 

O segundo ponto é o próprio personagem de Cage. Ele é um cara gatíssimo, mas muito traumatizado, com mágoas e raiva (justificáveis) e ainda assim, não é um homem sangrento e só quer uma vida “de boas”. O personagem não foi estereotipado dentro da caixinha “homem negro”, não é violento, por mais forte que seja, e nem se aproveita de ser lindo daquele jeito. 

LUKE CAGE
Claire aparece na vida de Luke pra tentar melhorar as coisas. Crédito: Reprodução

As mulheres o convidam “para tomar um café” e ele se recusa. Não é um cara pegador, entendem? Mesmo que várias vezes as mulheres deem em cima dele e, ainda assim, não é de uma maneiro hipersexualidade e animalesca como normalmente vivemos (ou vivenciamos) por aí. 

O terceiro ponto é a personalidade dos personagens secundários, aqueles que constroem o ambiente para o principal. Na série, nenhum deles eu consideraria secundário, nem os vilões. Em Luke Cage, é possível ver a história (ou escalada, como queiram) de determinada pessoa enquanto a história do Luke também é contada. Você quase não nota, mas aquele personagem está crescendo (e eu não estou falando socialmente, mas como personagem mesmo, vamos conhecendo mais dele aos poucos, pelos detalhes). Eu só me liguei nisso nos dois últimos episódios da última temporada, mas foi maravilhoso.

Bom, Luke Cage é originalmente um herói de HQ, né? Por isso algumas (ou várias) referências a gente não possui e, mesmo com tantas homenagens e citações, ainda há coisas bem diferentes dos quadrinhos, como por exemplo Luke ter uma criança com a Jessica Jones, o que não rola na série.

Outra diferença bem grande é que nas HQ ele é um herói de aluguel e na série, não. Até tem um episódio em que ele “tenta” proteger alguém por dinheiro por conta de uma dívida mas ele não é um cara focado em dinheiro, diferente da história original. 

Existem algumas outras diferenças, mas estas eu citaria como as principais. 

No mais, Luke Cage é uma série da Marvel em parceria com a Netflix (e eu sou bem gada e grata por isso), a terceira da relação entre as empresas- a primeira foi Demolidor e a segunda, Jessica Jones. 

A série se passa em três temporadas e o fim… bom, o fim foi digno para uma série que foi cancelada. Não ficou com um final suuuuuuuper aberto, se é que me entendem. Terminou de maneira quase satisfatória, com vários i’s pontuados, mas obviamente que com uma deixa para mais enredo.  ~eu inclusive estou pensando em começar a criar fic’s (fan fictions) para suprir essa minha necessidade de continuação. Brinks!

 

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