Cartas na Rua - Nerd Recomenda

Cartas na Rua contém uma grande problemática

Cartas na Rua, qual o limite para a liberdade de escrita?

Cartas na Rua
Cartas na Rua – Charles Bukowski / Foto: divulgação

“Cartas na Rua” primeiro romance escrito por Charles Bukowski foi a minha maior leitura de 2020, mas isso está longe de ter sido uma leitura muito proveitosa e neste post explicarei o porquê e falarei com sinceridade a minha opinião sobre liberdade artística.

Bukowski é um autor conhecido mais por sua história de vida do que por seus diversos romances com escrita agridoce. O velho fanfarrão e que não possuía rédeas na língua recebeu muitos “nãos” até finalmente conseguir publicar Cartas na Rua, e hoje iremos debater sobre.

O romance narra a história de Chinaski que decide entrar para o ramo de carteiros, algo que o próprio autor tem familiaridade já que o mesmo chegou a trabalhar como um. A história toda é contada de forma cômica quando podia e misógina boa parte do tempo.

Apesar de ser fiel às suas inúmeras namoradas que teve ao longo da trajetória do livro, Chinaski nunca deixava passar a oportunidade de tirar sarro delas, ou de brigar agressivamente com sua parceira ao ponto de atirar uma garrafa em sua direção. As partes engraçadas do livro se resumem apenas as suas experiências com entregas à domicílio e as reações geradas por elas até um determinado momento, lá pela metade do livro, quando o personagem principal comete um abuso sexual à uma moradora com a desculpa barata de que ela pediu.

Este tipo de comportamento me deixou completamente desconfortável para ler o resto da obra, mas um único motivo conseguiu me impedir de jogar 35 reais em um livro de bolso no lixo: o fator de que nem todos os personagens irão refletir pessoas boas, honestas e com super poderes incríveis com finais felizes. Acredito que autores tenham liberdade de explorarem a personalidade de seus personagens contanto que não romantizem suas ações e escrevam de forma a justificá-las.

No caso de Bukowski a atitude de Chinaski é questionada pelo próprio, porém não há um bom desenvolvimento do personagem e pouco mostra sobre suas emoções, temos sim visão de que ele não é uma pessoa de boa índole quando o mesmo escreve 40 páginas em resumo de sua ficha criminal.

Deste modo, consigo entender “N” motivos pela demora da obra ser aceita, mas ao mesmo tempo, como escritora de romances que nunca serão publicados, consigo me questionar se realmente há um limite para a escrita “atual”.

*Texto por Thuanne Ramos

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