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Trilogia Grisha (Leigh Bardugo)

Você sabe qual o problema com heróis e santos, Nikolai?” perguntei fechando o livro e andando em direção à porta. “Eles sempre acabam mortos.” 

(Sol e Tormenta – Trilogia Grisha livro 1 – Leigh Bardugo)

 

Alina Starkov é uma órfã de guerra sem grandes perspectivas de vida. Seu trabalho como cartógrafa militar provavelmente vai ser sua única fonte de renda no futuro, já que sua constituição frágil e sempre adoentada jamais lhe garantiria um lugar no exército de Ravka. Mas tudo bem, desde que ela possa continuar junto de seu melhor amigo (e crush não correspondido) Malyen Oretsev, ou Mally.

No entanto, tudo muda no dia em que o regimento, do qual ambos fazem parte, é atacado pelos terríveis volcras, monstros criados pela escuridão da Dobra, um enorme corte na terra no qual nenhuma luz é capaz de entrar. Ao tentar proteger o amigo, Alina acaba despertando um poder inesperado: ela é uma Grisha, humanos super-poderosos que fazem parte dos postos mais altos do exército ravkano.

 

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Mapa do Mundo Grisha. A trologia Grisha se passa em Ravka. “The Unsea”, traduzido para “O Não Mar”, é outro nome para a Dobra

 

Após essa descoberta, a protagonista é levada para a corte real com o objetivo de ser treinada pela elite Grisha, comandada pelo Grisha mais poderoso do mundo, o Darkling. Mas isso não é tudo, os poderes de Alina não são iguais ao de nenhum outro Grisha. Seus poderes assemelham-se apenas ao da lendária Conjuradora do Sol, um poder que pode ser capaz de eliminar a Dobra de uma vez por todas, livrando o mundo de seus monstros e escuridão.

A trilogia Grisha, formada pelos livros Sombra e Ossos, Sol e Tormenta, e Ruína e Ascenção, começou a ser lançada no Brasil no ano de 2013, pela editora Gutemberg, responsável também por trazer vários outros títulos da autora.

A história se passa em um universo riquíssimo: o complexo sistema de castas dos Grisha, sua fidelidade ao Darkling e ao país, a forma como seus poderes operam em seus corpos, assim como a ambientação da história, completam um cenário brilhante e cativante.

Lendo o primeiro livro, eu adorei como a história parece que vai seguir o típico enredo da protagonista que encontra seu lugar de poder ao lado do general de guerra, apaixona-se por ele, e juntos lutam para libertar o mundo da escuridão enquanto vivem um romance de tirar o fôlego.

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Alina Starkov como a Conjuradora do Sol (Arte por @monolimeart)

 

Só que não!!! hahahahahaha Lá pela metade do livro, a autora decide “não, não, vamos adicionar esse fator aqui, e agora tudo isso a gente joga no LIXO, e a Alina vai virar uma fugitiva trabalhando nas sombras.” Amei!.

 

Mas calma, que nem tudo são flores.

 

A autora, apesar de criar cenas impactantes que dão aquela acelerada no seu coração, peca muito no desenvolvimento pessoal da protagonista. Alina é uma personagem difícil de entender. Mesmo depois de três livros, nunca entendi qual era a sua motivação para querer salvar o mundo. Sua própria personalidade sofreu altos e baixos durante a série: em um momento ela era uma adolescente fazendo burrada e tremendo de medo do vilão, e duas páginas à frente ela estava lá, sendo a rainha do mundo dando lição de moral nesse mesmo vilão. 

Ainda que a intenção do enredo seja sim transformar uma garota fraca em algo poderoso, eu esperaria um desenvolvimento mais homogêneo, não esse comportamento de “crescimento, queda, crescimento, queda…”. Desse jeito estamos sempre voltando ao ponto de partida, e aquela Alina poderosa, líder e salvadora do mundo, nunca convence completamente.

 

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O Darkling, Grisha controlador da escuridão (Arte por @monolimeart)

Ah, e o romance… como eu passei nervoso!!! hahahaha. Queridos autores, vamos combinar o seguinte: não é porque os personagens são amigos de infância que eles não precisam de desenvolvimento romântico!! E não, se do nada, o cara admitir que gosta da menina isso não é suficiente. E não, você não termina um livro com os protagonistas juntos no amorzinho e começa o seguinte com esses mesmos protagonistas separados, como se algum grande impedimento existisse para a sua relação, sem dar nenhuma explicação crível de porque eles estejam se sentindo assim.

 

Estamos combinados? Sim? Então tá bem. Grata.

 

Bem, como vocês podem perceber, tenho sentimentos controversos com a Trilogia Grisha. Trata-se de uma história que eu provavelmente indicaria para leitores mais jovens, ou que ainda não tenham tido muito contato com literatura fantástica. Nesse caso, acho que a trilogia é uma ótima porta de entrada para o gênero, com um mundo bem construído e personagens memoráveis (Genia e Nikolai s2). Pra quem já está mais calejado no gênero, talvez seja um pouco frustrante, como foi pra mim.

 

Classificação da Larissa (@cons.ciencialiteraria): 3 estrelas

 

Lembrando que, em breve, a Netflix lançará a série Shadow and Bone, adaptação da Trilogia Grisha e da duologia Six of Crows, que fazem parte do Grishaverso (conjunto de histórias que se passam no mundo Grisha). As gravações já foram encerradas, embora a data de lançamento ainda não tenha sido anunciada. No vídeo abaixo você encontra alguns dos atores do elenco se apresentando e desejando boas-vindas ao Grishaverso:

 

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