Hollywood Do mudo ao Falado

Hollywood: Do Mudo ao Falado

Que tal entrarmos em uma máquina no tempo e voltarmos para a antiga Hollywood?

Em tempos onde a computação gráfica reina naquelas que, nos dias atuais, são chamadas de grandes produções de Hollywood, chega a ser até estranho pensar que existiu um momento na história do cinema em que sequer vozes eram ouvidas, não é mesmo?

Então, assim como houve o momento em que a animação 3D “venceu” a tradicional animação 2D e assim como também o CGI parece ter vencido, de certa forma, a produção de efeitos práticos, lá no final da década de 1920, surgiram os primeiros filmes falados trazendo o fim cada vez mais eminente do cinema mudo conforme as tecnologias eram aprimoradas.

E como toda grande mudança, esta afetou diretamente os atores que já estavam acostumados a um modo muito especifico de atuação. Alguns conseguiram se adaptar e passar por esse período sem grandes percalços, outros rechaçavam e achavam um absurdo essa novidade, acreditando serem apenas boatos e, infelizmente, tantos outros acabaram perdendo seu espaço na indústria, caindo no completo esquecimento.

Hoje, eu resolvi trazer dois longas que podem te ajudar a conhecer e entender um pouco mais sobre essa fase tão importante da história do cinema, com um enfoque em Hollywood. O primeiro é, sem dúvidas, um dos meus musicais favoritos da vida e quem é fã da história cinematográfica é indispensável que o assista.

Hollywood Do mudo ao Falado
Divulgação

Cantando na Chuva” (Singin’ In The Rain, no original) foi lançado em 1952 e se passa exatamente durante a época de transição do cinema mudo para o falado e vemos alguns dos desafios que, tanto atores quanto a equipe técnica, tinham que enfrentar ao tentar realizar a captação de áudio utilizando a extraordinária nova tecnologia, assim como a dificuldade de tratá-la devidamente durante a edição do material captado.

Também presenciamos uma dublagem feita por “baixo dos panos”, por assim dizer, uma vez que o timbre de voz de uma das atrizes principais do longa a ser filmado não é nem de perto considerável agradável de ser ouvida para os padrões da época, fazendo com que esta seja encoberta pela belíssima e aveludada voz de Debbie Reynolds.

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Donald O’Connor, Debbie Reynolds e Gene Kelly em “Cantando na Chuva” | Divulgação

Além disso, o longa dirigido por Stanley Donan e Gene Kelly (este último também protagonista) traz números musicais divertidíssimos e empolgantes, contando com a performance já clássica e irretocável de “Singin’ In The Rain” interpretada por Gene Kelly. As coreografias são impressionantes e não tem como não ficar vidrado na tela assim que cada nova dança se inicia.

E unindo tudo isso ao talento e carisma de todo o elenco, temos aqui um grande clássico que trata de forma leve uma época tão preciosa e importante.

Agora saindo desse mundo animado e colorido e indo para um caminho um pouco mais dramático, preto e branco e bem mais sombrio, a minha segunda indicação se trata de outro clássico indispensável, dessa vez, lançado dois anos antes de “Cantando na Chuva”, em 1950.

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A história de “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Boulevard, no original) se passa no ano de 1951, décadas após a chegada do cinema falado e aqui veremos outro lado de Hollywood, um lado muito mais decadente se comparado com o filme anterior e, podemos arriscar dizer, muito mais realista.

Para evidenciar isso, o longa já começa com o anúncio de um assassinato em uma das mansões localizadas na famosa Sunset Boulevard, onde mora uma grande atriz da época do Cinema Mudo. E citando um exemplo mais atual, assim como em “Beleza Americana” (1999), logo nos primeiros minutos de tela já sabemos qual é o destino de um dos personagens principais e todo o decorrer do filme é para nos mostrar o que aconteceu anteriormente até chegar àquele fatídico momento.

Diferente da indicação anterior onde vemos cores e sorrisos em boa parte das cenas, aqui entramos em um ambiente mais soturno, saímos da felicidade do musical para a tensão do noir e com um roteiro inteligente e cheio de boas sacadas, a história do filme é construída nos mostrando muito mais sobre as adversidades que os profissionais enfrentavam nos bastidores em busca de conseguir o seu próprio espaço na indústria.

Temos aqui uma super estrela (Gloria Swanson) que foi esquecida por Hollywood após o surgimento do cinema falado, sendo relegada a viver em seu próprio mundo de lembranças de quando seu nome e seu trabalho estavam no auge e não é exagero dizer que ela faz de sua própria casa, um grande museu onde vive estagnada em um tempo que não vai mais voltar.

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Gloria Swanson e William Holden em “Crepúsculo dos Deuses” | Divulgação

Do outro lado, temos um roteirista (William Holden) que ainda não emplacou nenhum grande sucesso nas telonas mas que está afundado em dívidas e prestes a perder seus bens. Com tentativas falhas de vender seus mais recentes trabalhos para estúdios na ânsia de conseguir qualquer valor para tirá-lo temporariamente dessa difícil situação, em um dia, ele se vê entrando na propriedade de uma antiga atriz e, então, os dois destinos se cruzam.

A partir disso, “Crepúsculo dos Deuses” irá abordar diversos temas que, de maneira impressionante, continuam relevantes até os dias atuais como a dificuldade que é você fazer parte de um meio como este sem possuir os famigerados contatos que podem te oferecer um atalho para esse propósito.

Como mulheres são passadas para trás após atingir uma certa idade por serem consideradas velhas demais fazendo com que tenham que recorrer ao mundo dos tratamentos e procedimentos estéticos buscando manter, pelo máximo de tempo possível, uma aparência mais próxima daquilo que Hollywood exige e considera aceitável.

Então, caso você tenha curiosidade de conhecer um pouco mais sobre esse período que mudou para sempre o modo de se fazer e pensar filmes em Hollywood, acredito que essas duas indicações são bons pontapés iniciais para que o seu interesse aumente ainda mais.

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E, antes de encerrar a resenha de hoje, vou deixar aqui uma menção para o livro “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” da autora Taylor Jenkins Reid que também se passa durante essa fase e mostra todos os desafios que uma mulher latina e fora dos padrões precisa enfrentar para alcançar o estrelato, o preço que é pago por isso e também toda a coragem necessária para enfrentar os mais diversos preconceitos desse mundo (ainda) extremamente conservador.

A Netflix acaba de anunciar que irá adaptar essa história em um filme, sem data para lançamento ainda, mas, se tudo der certo e conseguirem transpassar para as telas de maneira digna essa narrativa impecável, talvez “Evelyn Hugo” também se torne um grande clássico do cinema para as futuras gerações assim como as duas indicações de hoje também são e, sem dúvidas, estou torcendo por isso.

Texto Elaborado por Jamerson Nascimento.


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