Jogos Mortais - Nerd Recomenda

“Jogos Mortais” – Nova perspectiva pela maturidade

A diferença em assistir um filme de terror anos depois é realmente impressionante

 

O primeiro contato com filmes de terror é algo marcante para crianças e jovens, seja vendo uma reprise na televisão, indo à locadora para escolher um com a capa assustadora, ou apenas juntar os amigos adolescentes para sentir aquele medo real. Porém, nessa época apenas víamos o bruto do filme, sem ter uma perspectiva da sua história, já que estávamos atrás apenas do terror que ele oferecia. 

Jogos Mortais
Em toda sua história de lançamento, Jogos Mortais passou pelas mãos de seis diretores. Créditos: Cinemaepipoca/Divulgação

Neste pensamento resolvi passar por uma experiência. Junto com mais uma amiga (época final de TCC em 2019) assistimos toda a sequência de Jogos Mortais, desde o primeiro, lançado em 2004, até o mais recente, de 2017, e posso dizer, com toda a certeza, que a visão sobre o filme mudou e muito da adolescência para a fase adulta.

Jogos Mortais, ou Saw (título original), é uma franquia de filmes de terror e suspense, que explora muito o lado da tortura em seres humanos para testar seus limites. O primeiro filme, dirigido por James Wan, contou apenas com R$ 1,2 milhões para ser produzido e foi um sucesso nas bilheterias do cinema. 

Todo mundo conhece a história do longa. Dois caras desconhecidos acordam em um banheiro sujo, preso pelos pés, com um corpo de um homem morto no chão, e não sabem onde estão. Durante a trama acompanhamos flashbacks dos protagonistas, que vão soltando pistas sobre a história e o motivo de estarem presos juntos. O filme apostou, além da violência física explícita, nos diálogos entre os personagens, algo que contribuiu para que a produção tivesse sucesso e ganhasse a atenção do público.

Resumindo bem bruscamente, os filmes focam na seguinte história: desconhecidos são colocados juntos em lugares fechados e são submetidos a jogos de tortura, comandados pelo boneco Jigsaw, que os acompanha através de um monitor. O objetivo das pessoas é sobreviver.

Ao total, Jogos Mortais conta com oito filmes da franquia, além de mais um, dirigido por Chris Rock, que será lançado em 2021.

Jogos Mortais
Chester Bennington, ex- vocalista da banda Linkin Park, fez um papel no 7º filme da franquia Jogos Mortais. Créditos: Plano Crítico/Divulgação

Mas então, o que chama a atenção na sequência de filmes, lançada a algum tempo? A resposta: o amadurecimento cultural e de percepção que temos ao longo dos anos, o que me fez ver os filmes com uma outra visão.

Quando se falava em Jogos Mortais apenas vinha na minha cabeça as imagens dos caras acorrentados pelos pés (cena já parodiada e presente em outras produções) e de uma mulher sendo jogada em uma piscina de agulhas. Só. Eu não me lembrava da história do filme, o nome de seus personagens, ou os motivos de estarem nos jogos.

Ao topar assistir toda a sequência novamente, já que antes eu via os filmes em ordem aleatória, o que mais me impressionou é que por trás de toda aquela tortura, Jogos Mortais apresentava uma boa história de terror, bem construída, com personagens curiosos, bem trabalhados e deixando a tortura apenas como um elemento a mais na trama para divertir os mais famintos por terror.

Analisando os filmes no geral, os elementos interessantes começam pela história do início dos jogos. Seu criador possui uma trajetória triste e cheia de decepções que o fizeram olhar o mundo de outra maneira, e se indignar pelo modo como as pessoas levavam suas vidas, com descaso. Para fazer com que elas tenham uma segunda chance de viver, são colocadas nos jogos com o objetivo de provar que ainda merecem estar vivas.

Jogos Mortais
“Jogos Mortais – Jigsaw”, último filme lançado, faz uma homenagem aos anteriores, com armadilhar marcantes das produções antecessoras. Créditos: Plano Crítico/Divulgação

Ver a brutalidade e força que os seres humanos usam para sobreviver também é outro elemento interessante. Em sociedade todos devemos nos comportar bem e sempre buscamos realizar ações altruístas para que sejamos bem vistos pelos outros. Porém quando vemos os personagens tendo suas vidas colocadas em risco, tudo isso vai por água abaixo, se tornando um jogo em que quem vence é o mais esperto (mesmo que essa não seja a lição que a pessoa deva aprender).

Chegando na parte da tortura e violência que os filmes apresentam é algo espantoso e interessante de se ver. Não que eu me refira a assistir pessoas sendo torturadas e o sangue jorrando, mas Jogos Mortais trabalha bem a questão dos desafios, pois eles não são apenas armadilhas jogadas em cena propositalmente, elas são bem pensadas para cada pessoa que se encontra no jogo e busca descobrir, a partir do seu limite, sua real face. No último filme lançado, Jogos Mortais: Jigsaw, todos os desafios deixam bem explícito essa ideia para os protagonistas ao final da trama, vendo que suas decisões poderiam ter sido diferentes se tivessem pensado de outra maneira e não de modo egoísta.

Tenho de concordar, claro, que a franquia Jogos Mortais perdeu um pouco sua qualidade a partir do 3º filme, deixando a história um pouco de lado para focar mais nas cenas de tortura. Em certo momento, parecia que a ideia de estender mais essa sequência foi em apresentar mais armadilhas criativas do que desenvolver a história. Porém, ela ainda estava lá, para tapar certos buracos das tramas anteriores e o melhor, oferecer mais elementos sobre a vida do criador dos jogos.

Jogos Mortais
Em 2018, o jogo Dead by Daylight incluiu um dos vilões de Jogos Mortais como um de seus assassinos. Créditos: TechTudo/Divulgação

Quando terminei de assistir toda a sequência disponível, me deu uma sensação de satisfação por conhecer mais uma história que eu resumia em apenas capas de filmes macabros. O que tinha por trás de toda tortura chegava quase a ser uma reflexão sobre a humanidade, nos fazendo enxergar o modo como tratamos nossas vidas e por qual motivo Jigsaw testaria os limites de cada um, algo que não pretendo descobrir.

Jogos Mortais é uma franquia que deve ser apreciada. Mesmo que os filmes sejam um pouco velhos, as discussões que trazem ainda se encontram bem atuais e não deixam de te dar um certo desconforto a cada cena de violência. Conhecer a história de Jigsaw é algo profundo e assustador.

Para quem quiser assistir aos filmes, o II e o III estão disponíveis na Netflix, no Prime Vídeo o II, III, IV, V, VI e VII e no TelecinePlay o VIII, último lançado.

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