Lost Girls: Os Crimes de Long Island

Lost Girls: Os Crimes de Long Island – Porque um filme?

Liz Garbus, poderia me explicar como alguém com um currículo como o seu – duas vezes indicada por Melhor Documentário e um belo status dentro da Academia – foi dirigir um filme como Lost Girls? É complicado entender o motivo para fazer deste longa a sua estreia nas produções tradicionais. E após alguns minutos desta produção original da Netflix, a dificuldade de entender se torna ainda maior.

O filme conta a história real de Mari Gilbert (Amy Ryan) e sua busca desenfreada para resolver o caso do desaparecimento de sua filha mais velha, Shannan (Sarah Wisser), uma garota de programa que desapareceu em 2010 na região de Long Island, nos Estados Unidos, após uma visita a um cliente. Inconformada com o descaso da polícia, Mari começa a investigar por conta própria, atrapalhando os planos do comissário Richard Dormer (Gabriel Byrne), que não queria atrair a atenção da imprensa. A situação piora quando quatro corpos femininos são encontrados próximos ao condomínio onde a moça foi vista pela última vez, mas nenhum era o seu.

Lost Girls: Os Crimes de Long Island
Cena do Filme “Lost Girls: Os Crimes de Long Island”

O mistério envolvendo o desaparecimento da garota já seria o suficiente para que Liz tornasse seu filme uma produção interessante. A questão da desaparecida ser uma possível prostituta, tornando nítida a repulsa dos envolvidos policiais, e o claro conflito da mãe que coloca a vida em risco para descobrir a verdade, são elemento que adicionariam ainda mais nuances à trama. Também, para que houvesse mais envolvimento – ou apenas mais trabalho – decidiram introduzir na história as vítimas de outras famílias, casos que estavam sem definição desde 2007.

É válido ressaltar que não fica claro até metade do filme como funciona a cronologia da narrativa. Eis que perguntamos: de quanto tempo estamos falando? A quanto tempo Shannan está de fato desaparecida? Confusão que deixa a todos nós, espectadores, perdidos e sem entender o porquê, por exemplo, uma das personagens, filhas de Mari Gilbert, tem um laço tão forte com as outras famílias. São informações que fazem falta para compreender melhor a trama, mesmo que possamos compreender que tragédias são passíveis de unir as pessoas.

Lost Girls: Os Crimes de Long Island
Cena do Filme “Lost Girls: Os Crimes de Long Island”

Em cena, principalmente nas cenas que pretendem nos causam dor e fúria, conseguimos perceber a enorme experiência da atriz principal, que foi eficaz em carregar consigo toda dramatização e sentimentos da história com muita facilidade. Sendo um filme de teor misterioso, foi uma escolha possivelmente arriscada da diretora essa de, apesar de ser baseado em fatos reais, transformar Mari Gilbert no foco narrativo que conduz a própria investigação. Arriscado não? Tudo se torna muito irreal e impalpável.

A partir dos acontecimentos do filme, é possível traçar um paralelo com a realidade da qual vivemos, o que pode ser visto como uma provocação: enquanto a população que tem um poder aquisitivo maior tem o apoio total da força policial, as vítimas – todas mulheres, sempre colocadas em papéis menores como acompanhantes, prostitutas ou garotas de programa, mas nunca de filhas, mulheres ou irmãs – não recebem o mesmo tratamente perante a justiça.

Acompanhe o traile de Lost Girls: Os Crimes de Long Island:

 

Acabamos que, no final do filme, não somos capazes de sentir nenhuma afeição pela história principal, a da família Gilbert, muito menos por qualquer outra. O único sentimento que fica claro é a falta de história, de que havia mais conteúdo para ser tratado com mais profundidade do realmente foi. Se tivéssemos a possibilidade de desfrutar de uma série com pelo menos 7 ou 8 episódios, talvez – e só talvez – pudéssemos compreender melhor os fatos relatados que certamente seriam melhor trabalhados. Entenderíamos mais sobre as vítimas, investigações, o trabalho realizado pelas autoridades ou até (principalmente) a conclusão da história. 

 

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