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O Rei Perverso (Holly Black)

Acostume-se com o peso, Madoc dissera. Você precisa ser forte o suficiente para golpear e golpear e golpear de novo sem se cansar. A primeira lição é ficar forte. Vai doer. mas a dor fortalece.” (O Rei Perverso – Holly Black)

 

ATENÇÃO: Essa resenha possui spoilers do livro anterior, O Príncipe Cruel (link da resenha aqui). Leia por sua própria conta e risco.

 

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Capa Nacional de O Rei Perverso (foto divulgação)

 

O segundo livro da trilogia O Povo do Ar, O Rei Perverso, escrito pela autora Holly Black, foi finalmente lançado no Brasil neste segundo semestre de 2020, já com promessas de que o último volume da série, Queen of Nothing (A Rainha de Nada), será lançado ainda este ano pela Galera Record.

Eu, como fã de carteirinha dessa fantasia jovem adulta, fui correndo ler o livro assim que consegui colocar minhas mãos em um exemplar.

 

 

 

 

 

 

Neste novo momento da história, Jude continua passando maus bocados nas mãos de Cardan, agora Grande Rei do Reino das Fadas. No papel de sua senescal (o braço direito do rei), ela tem agora uma posição de prestígio na corte, embora seu alto cargo ainda não pareça o suficiente para que o povo das fadas a enxergue como algo além de uma humana fraca.

Ahhhh, se eles soubessem que é ela quem controla as ações de Cardan e verdadeiramente governa o reino… O mundo é tão injusto…

Isso mesmo. Como você pode perceber, essa dinâmica de uma Jude que arquiteta e executa tudo pelas sombras para, só no momento certo, jogar a cartada matadora no inimigo como uma verdadeira mestre dos jogos de guerra, continua. 

Claro, nem sempre as coisas saem como Jude planeja, e enquanto o momento não chega, ela continua tendo que engolir muito sapo. Mas quando os momentos “revelação” acontecem… ah, que satisfatório!!

 

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Jude Duarte e Cardan Greenbriar (ilustrações de Ida Vesterelv)

 

Outro personagem que merece ser foco de comentários é o próprio Cardan. Embora a história tenha a Jude como seu centro, neste segundo volume o ex-príncipe e agora Rei Cardan vai cavando seu espaço na trama, ao mesmo tempo em que uma relação mais consistente entre ele e a Jude vai se formado: passando por cenas de conhecimento mútuo, construção de confiança (e destruição dela kkk), e aqueles momentos românticos também porque, afinal, estamos aqui pra isso também.

Em O Rei Perverso conhecemos uma nova faceta de Cardan. Com menos interferências diretas de elementos do seu passado, aqueles que o levavam a cometer vários dos atos babacas que acompanhamos no primeiro volume, vamos conhecendo um Cardan muito mais tranquilo e livre, ainda que preso pelas amarras de seu trato com Jude.

 

“- Nós vamos mostrar a ela que não sou um Grande Rei imprudente.

– E como vamos fazer isso? – pergunto.

– Com grande dificuldade – responde ele. – Porque temo que ela esteja certa.”

(O Rei Perverso – Holly Black)

 

Em O Povo do Ar, o romance entre os protagonistas é um elemento importante para a trama, e me alegra perceber que, assim como no primeiro livro, a autora até aqui tem conseguido me deixar investida tanto no desenvolvimento do romance, quanto nos jogos de poder da corte das fadas. 

A forma com que um personagem sempre está tentando a passar a perna no outro é incrível de acompanhar. É quase difícil continuar odiando alguns deles quando você percebe o quão “bons jogadores” eles são, ainda que tenham umas ideias meio estranhas (estou olhando pra você, Madoc!).

Uma pequena crítica que não posso deixar de fazer é sobre a rapidez com que os sentimentos da Jude pelo Cardan desabrocham nesse livro. Não achei ruim, mas fiquei com a impressão de que em O Príncipe Cruel finalizamos o livro com a Jude mostrando uma mistura de ódio, medo, e uma pontinha de desejo por ele. Mas nada que realmente chacoalhasse seu coraçãozinho. 

Em O Rei Perverso, no entanto, sinto que já caímos de paraquedas em cenas que deixaram de lado esse medo da Jude (não que ela não tivesse outras coisas mais importantes pra ter medo. Só estou fazendo a observação), e ela já parece muitos passos mais próxima de nutrir sentimentos mais profundos por ele. Nada que tenha comprometido meu divertimento com a história, claro. Mas eu não podia deixar de pontuar esse assunto.

Enfim. Leiam O Povo do Ar. Não existe arrependimento nessa escolha, eu garanto.

Classificação da Larissa (@cons.ciencialiteraria): 5 estrelas

 

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