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Por: Ana Paula Castro 22/04/2024
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Impecável do início ao fim, “Rivais” é uma grande jogada para o cinema

Longa tem Zendaya, Josh O’Connor e Mike Feist no elenco; Rivais estreia dia 26 de abril nos cinemas

Sabemos que Zendaya por si só já é um nome que nos motiva a ir ao cinema. E não é qualquer ator que consegue este feito, muito menos que mereça este feito. Em Rivais, Zendaya mostra (mais uma vez) porque é uma das maiores atrizes de sua geração e porque conseguiu a proeza de ocupar a sala de cinema em dois blockbusters seguidos, e ser primorosa em ambos. Tudo isso, conduzido pela visão estética e perspicaz do diretor Luca Guadagnino, já torna Challengers (no original) um dos melhores filmes do ano.

Rivais acompanha a história de três tenistas, Tashi Duncan (Zendaya) e os melhores amigos Patrick (Josh O’Connor) e Art (Mike Faist). A relação íntima e de cumplicidade entre Patrick e Art muda com a chegada de Tashi, uma talentosa jogadora que viu seus planos no esporte ruírem por conta de um acidente em uma partida.

Enquanto Tashi se torna uma treinadora, os caminhos de Art e Patrick se afastam por conta do triângulo amoroso com ela. Os agora rivais voltam a se encontrar 13 anos (e muitas reviravoltas) depois, em uma partida decisiva para o futuro dos três protagonistas.

O primeiro destaque de Rivais é a opção do roteirista Justin Kuritzkes por uma trama não linear. O que a princípio poderia deixar a história confusa, dá a ela a dinamicidade de uma partida de tênis. O roteiro conversa com o esporte, onde o público é levado para o passado e de volta para o presente em uma velocidade crescente, de forma que cada trecho do passado encaixa perfeitamente com o momento presente.

Vale dizer que esse recurso torna o filme bem mais intenso e interessante. Uma narrativa linear, neste caso, não traria a montanha-russa de emoções que os esportes costumam trazer, com os momentos de absorção e relaxamento intercalados com os de pura adrenalina. A intenção do roteirista e do diretor em transformar o filme em uma grande partida de tênis — com Art e Patrick um de cada lado da “quadra” ou do plano e Tashi sendo a “rede” entre eles — é muito clara, desde o cartaz do filme até a última cena.

Mike Faist, Zendaya e Josh O'Connor em "Rivais" (Divulgação)
Mike Faist, Zendaya e Josh O’Connor em “Rivais” (Divulgação)

O roteiro só se engrandece com a visão criativa de Luca Guadagnino. O diretor italiano, junto com o diretor de fotografia Sayombhu Mukdeeprom, souberam usar grandes recursos visuais que não têm finalidade apenas estética, mas ajudam a contar a história. Como colocar a câmera na perspectiva de uma bola em movimento em um momento de adrenalina, ou uma cena com a visão de baixo da quadra, fazendo o céu como plano de fundo para dois personagens que se desprendem de limitações e passam a jogar com uma conexão quase transcendental.

Rivais é a perfeita demonstração de que um filme se torna excelente quando todas as partes trabalham em harmonia e se completam, pois nada disso tornaria esta uma grande obra cinematográfica se não fosse a atuação impecável de Zendaya, Josh O’Connor e Mike Faist. O trio tem uma dinâmica que funciona muito bem até mesmo quando um dos três não está na cena.

Zendaya traz uma personagem intensa, determinada e manipuladora, que tem seus objetivos definidos desde muito nova. A mudança radical em sua vida torna Tashi Duncan uma mulher, mãe e esposa com um quê de frustração que acaba caindo nos ombros do personagem de Mike Faist.

Zendaya em "Rivais" (Divulgação)
Zendaya em “Rivais” (Divulgação)

Mais romântico e racional, Art não carrega a mesma paixão e intensidade de Patrick pelo tênis, mas traz consigo a mesma ambição. Ambos são o contraponto perfeito um do outro e, apesar de parecer que a trama é sobre Tashi, as cenas finais deixam claro que o verdadeiro mote da narrativa é a relação abalada entre dois “melhores amigos”.

São eles que dão vida a uma das frases mais marcantes do filme, mostrando que uma partida de tênis é, na verdade, um profundo e intenso relacionamento entre dois jogadores. Enquanto Faist trabalha nas nuances, utilizando de expressões faciais que dizem mais do que palavras — assim como Zendaya, vale destacar —, Connor traz o timing cômico aliado à desenvoltura dramática que o destacou em suas temporadas como Príncipe Charles em The Crown.

Mike Faist e Josh O'Connor em "Rivais" (Divulgação)
Mike Faist e Josh O’Connor em “Rivais” (Divulgação)

A química entre os três é natural e potencializada pela performance dos atores, com atuações e personagens que se complementam. Mesmo que Zendaya seja, sem dúvidas, o nome mais forte do elenco, nenhum é coadjuvante.

A relação entre os três personagens também é potencializada pela trilha sonora, que sobe com a música eletrônica em determinadas cenas, simbolizando a “perturbação” interna dos personagens e a confusão de sentimentos que está presente na trama em diversos momentos. Destaque para a dupla que assina também as trilhas de A Rede Social e Soul: Trent Reznor e Atticus Ross.

Se Rivais tivesse sido lançado em outra época do ano, com certeza seria uma das obras cotadas para a temporada de premiações, com várias indicações. Porém, claramente o filme não precisa disso para se validar. A narrativa trabalha sensualidade, dinâmica, tensão e drama de forma primorosa. 

No final, é como Tashi diz, ela “só queria ver uma boa partida de tênis”. O mesmo vale para os amantes da sétima arte que só querem ver um bom filme. E com Rivais, tanto Tashi quanto o público conseguem.

Rivais estreia dia 26 de abril nos cinemas brasileiros.

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