The Last of Us

Análise: The Last of Us Part 2 – Polêmico e excelente.

 

The Last of Us foi um game lançado em 2013, pela Naugthy Dog. Seu produtor Neil Druckmann é a cabeça por trás desse jogo que mudou a maneira de narrar história nos games. O ponto forte de The Last of Us é sua narrativa, onde cada dialogo desenvolve e acrescenta na personalidade dos personagens. No final do jogo, você está apegado e se importa com as pessoas daquele universo. Enquanto isso, The Last of Us part II vai intensificar seus sentimentos e brincar com as emoções que você desenvolveu no primeiro game.

Para falar sobre The Last of Us Part II, temos que recapitular o primeiro game. O início de The Last of Us é extremamente dramático, e se passa durante o pico da epidemia do Cordyceps, fungo que está causa uma doença que ataca do sistema nervoso e neural de seu hóspede, transformando-o em uma espécie de zumbi.

Nosso protagonista, Joel Miller, vive o ápice do caos causado pelo fungo, quando pessoas buscam refúgio e proteção contra os infectados. Tudo está devastado, Joel, junto com sua filha Sara e seu irmão Tommy, tentam fugir do apocalipse a qualquer custo, mas no meio do caminho um militar os aborda, e sob as ordens de executar qualquer possível infectado ele atira em Joel e Sara. Tommy reage com sua pistola e mata o militar, mas é tarde demais. Durante o tiroteio, Sara morre nos braços de seu pai.

20 anos se passaram e Joel vive como contrabandista no mundo apocalíptico, onde existem mais infectados zumbis pelo Cordyceps do que pessoas. Ele e sua parceira de trabalho, Tess, não recusam nenhum trabalho, de forma que sua próxima missão é traficar Ellie, uma menina imune ao fungo, para o grupo paramilitar Vaga-Lumes. Os Vaga-Lumes enxergam na imunidade de Ellie a chave para criação de uma cura. A comitiva de Joel viaja durante meses, atravessando metade dos Estados Unidos, até chegar aos Vaga-Lumes, mas quando eles finalmente chegam ao local de encontro, descobrem que para criar a cura ou vacina do Cordyceps, Ellie passaria por uma cirurgia fatal que a mataria. 

Joel está muito apegado à Ellie. Eles passaram os últimos meses juntos, criando um vínculo de pai e filha. Joel não vai perder mais uma filha, por isso ele mata militares e médicos Vaga-Lumes. A menina Ellie não sabe de nada, porque passou o último dia anestesiada para sua cirurgia.

No fim de The Last of Us, Joel mente sobre a cura, e não revela para Ellie que a cirurgia da vacina a mataria.  

Assim, com uma mentira, acaba o primeiro jogo da Naugthy Dog, que foi aclamado pelo público e a crítica. 

The Last of Us
The Last of Us

Agora contextualizado na história, The Last of Us part II se passa 5 anos depois do primeiro. Ellie é uma jovem adulta, com seus 19 anos, ela vive uma vida na cidade de Jackson (uma comunidade que tenta recriar a maneira de viver antes do vírus), junto ao seu “pai” Joel. Essa cidade é liderada por Tommy, irmão de Joel e sua esposa Maria.

Todos viviam com muita paz em Jackson, mas uma tragédia atinge Ellie, que com todo ódio do mundo, sai em busca de vingança. The Last of Us Part II conta uma história sobre o ciclo da violência até suas últimas sequências.

Meus sentimentos ao jogar a Part II foram uma mistura de ódio, raiva, rancor, tristeza, frustração, com alguns momentos de alívio. A narrativa continua perfeita, onde o jogador vai ser manipulado pelo jogo a cada cena. Talvez esse seja o grande o mérito desse jogo, mexer com sentimentos, fazer o jogador vivenciar na pele acontecimentos traumáticos e despertar emoções que fazem duvidar da sua humanidade.

A jornada de Ellie pela vingança tem um custo caro, e muito sangue vai ser derramado até o fim de sua jornada. A sensação ao jogar e vivenciar essa trilha foi a mais intensa possível. Não sabia se minhas atitudes eram corretas, mas assim como a Ellie, estava com sede de vingança e puder sentir todo ódio e dor dela. Um pouco mais adiante, perto do final, o game te obriga a ter atitudes e fazer coisas que eu não queria. Fiquei com raiva e desapontado. Esse é a proposta do game, despertar o sentimento da personagem no jogador, assim, a narrativa do game faz um brilhante trabalho.

A maneira como a narrativa imerge e mexe com o jogador é incrível. Por trás de uma história simples, a complexidade das pessoas faz com que o universo de The Last of Us seja rico, abstrato e confuso. The Last of Us part II é um game muito pessoal e sensorial.

 

Os personagens:

Nosso amor pelos personagens de The Last of Us par II vai sendo colocado à prova no segundo game. O trabalho desenvolvido para mostrar pontos de vista diferentes vai interferir em nosso julgamento. Ellie não é a mesma. O trauma vivido vai despertar nela um lado sombrio, e isso pode ser um choque para o jogador acostumado com a manina orfã, que constrói laços de amor com Joel, no primeiro jogo. 

A história de Last of Us part II vai desconstruir nosso imaginário de Ellie, e mostra uma jornada humana, onde não existe o certo e errado ou bem e mal, e sim perspectiva e visões opostas de um mesmo fato.

Joel e Tommy estão mais velhos, com muito mais experiência.

Abby é a antagonista, que vai ser opor a Ellie o tempo inteiro.

 

The Last of Us part II mostra uma cadeia de violência, cada vez mais escalonada. Ela só aumenta. Podemos até fazer uma comparação com outras obras como Laranja Mecânica, que mostra a como a violência gera violência, mesmo tema abordado em The Last of Us part II.

 

Especificações técnicas:

-Gameplay: The Last of Us part II melhora muito sua mecânica e jogabilidade, tomando como estrutura base o primeiro game. Os principais acréscimos na gameplay foram: o botão de esquiva, que deu uma dinâmica rápida e bem fluida na hora do combate corpo a corpo; e o botão de pulo, também foi adicionado, por isso agora podemos explorar melhor todo o cenário.

O jogo está mais difícil. A Naugthy Dog teve o capricho de aumentar a inteligência artificial dos inimigos, onde cada NPC ( sigla em inglês para “Um personagem não jogável”) tem nome e identidade. Agora temos mais variedades de adversários:

Os “Lobos” – grupo paramilitar herdeiro dos Vaga-Lumes e os Serafitas – seita religiosa. Cada grupo requer uma estratégia própria para desfiar o jogador:

– Lobos usam cães farejadores para te rastrear, tem bases militares espalhadas por Seattle e um armamento pesado.

– Serafitas se comunicam através de assobios, usados como códigos, e usam o silêncio para atacar de surpresa, com esconderijos secretos e armas silenciosas, como arco e flecha.

Os infectados estão mais espetos e variados, eles são rápidos e perigosos, e podem te matar apenas com um golpe.

Ambos os grupos entram em modo de alerta quando encontram um corpo. Essa evolução dificulta a nossa jornada.

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Os combates corpo a corpo são muito lisos e fluidos, com grande diversidade de finalizações.

  – Mapa: o mapa está maior, mais diversificado e detalhado. É importante explorar cada pedaço no mapa, para conseguir seus recursos, que são muito escassos. O craft continua muito importante, para o jogador produzir itens fundamentais como kits médicos, bombas, silenciadores, entre outros objetos.

Como o mapa cresceu, a dificuldade de localizar os inimigos também aumentou, o modo escuta é ineficaz se o jogador tiver em um mapa amplo.

– Graficos: são impecáveis, game lindíssimo. A trilha sonora é espetacular e criar o clima perfeito em cada cena. Cada imagem é bem detalhada, desde do mato em que você se esconde até a água em que mergulhamos. As expressões no olhar dos personagens passam os sentimentos profundos estimulados pelas conversas e ações. Quando o jogador vai melhorar sua arma, podemos enxergar cada detalhe na mão, nas ferramentas. Os gráficos são os mais perfeitos possíveis para o Playstation 4

– Narrativa: excelente, uma narrativa que vai emocionar. The Last of Us 2 continua com uma narrativa impecável, e apesar de alguns furos pequeno na história, nada vai estragar a experiência de vivenciar os acontecimentos em The Last of Us part II.

The Last of Us
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– Trilha: a trilha sonora é linda e envolvente. Temos momentos em que tocamos violão, e essas cenas são tocantes que tiraram lagrimas dos meus olhos. A dublagem está perfeita, com uma ótima adaptação para o português

The Last of Us part II é um game obrigatório para os donos de Playstation 4, que vai emocionar. Dificilmente o jogador vai estar preparado para encarrar essa jornada de ódio e violência. Viver na pele de Ellie e ter perceptivas

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diferentes de um mesmo fato vai abalar as estruturas de quem jogar. Não é todo ano que temos um game tão rico em narrativa, construção e desconstrução de personagens, ambientação e gameplay. The Last of Us part II vale muito a pena ser jogado, sendo um único, quase perfeito.

 

 

 

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