arma escarlate

A Arma Escarlate (Renata Ventura)

Quanto maior o poder, maior a queda, Bruxo. Lembre-se disso.

A Arma Escarlate – Renata Ventura

Idá Aláàfin Abiodun está numa situação beeeem complicada. Com apenas 13 anos, ele talvez tenha tomado uma das piores decisões da sua vida: pedir para entrar no tráfico de drogas do morro da Dona Marta, a favela do Rio de Janeiro onde ele mora com sua mãe e sua avó.

E essa nem é a pior parte. O pior é ele ter pisado na bola com os traficantes, coisa que o Caiçara, um dos chefes que há muito tempo busca uma desculpa pra dar um fim no moleque, não vai deixar passar batido. Idá está morto, e sabe muito bem disso…

Mas como ele ia saber que uma carta estranhaça ia chegar bem na hora que ele precisava ficar de olho? Ainda mais uma falando que Idá é um bruxo e que está convidado pra começar seus estudos na escola de bruxaria Nossa Senhora do Korkovado! Só pode ser zoeira, né?

Pra descobrir, só indo até lá e vendo com seus próprios olhos. Se for real, essa pode ser sua chance de fugir do Caiçara… e talvez mudar esse nome estranho que ele tem, né? Hugo Escarlate sim é nome de bruxo!

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Renata Ventura, autora de A Arma Escarlate, e outros 3 livros da série que contam a história do bruxinho brasileiro Hugo Escarlate

A Arma Escarlate é uma fantasia escrita pela carioca Renata Ventura, que tomou muito a sério as palavras da britânica J K Rolling quando disse que não pretendia escrever um livro sobre uma escola de magia que se passasse em outro país, mas se alguém quisesse “…. fique à vontade para escrever o seu.”

Exatamente por essa óbvia inspiração, a história de Hugo Escarlate é recheada de referências àquele mundo do bruxinho britânico, mas sem deixar de ter toda uma mitologia própria que, cá entre nós, dá gosto de tão brasileira que é!!

Misturando elementos do folclore brasileiro, religiões africanas e indígenas, e “palavreado” totalmente nacional, os feitiços ensinados na escola vão desde “chá de sumiço” até o aprendizado sobre criaturas místicas como, por exemplo, a Mula Sem Cabeça.

Ei ei ei” Viny protestou, desviando seu olhar para a estátua nada atraente de Teodoro II. “Pode ir tirando o centaurinho da chuva, Adendo, que essa aí já tem dono.”

A Arma Escarlate – Renata Ventura

Os personagens dessa história também são uma felicidade à parte. Hugo é um garoto arisco, sem papas na língua e que faz cada besteira que MEU DEUS!! Se não for pra causar, o Hugo nem sai de casa!

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Hugo Escarlate, o protagonista de A Arma Escalate

Sorte que na escola Hugo é adotado pelo grupo dos Pixies, alunos mais velhos cheios de atitude, militantes das mais diversas causas, que vão transformar para melhor a experiência do Hugo na escola: Capí, Caimana, Viny e o Índio são os melhores parceiros para se ter na Korkovado, que nem de longe é tão perfeita como poderia ser (afinal é Brasil, né gente? Vocês já viram alguma coisa funcionando bem no Brasil?!)

O que estou querendo dizer é que amigos se ajudam. E isso não é caridade. Não é manipulação. É simplesmente a definição do que é ser amigo.”

A Arma Escarlate – Renata Ventura

Durante leitura, é fácil se apegar e torcer pelo bem de personagens mesmo quando você discorda 100% das ações deles (Né, Hugo?), já que a Renata faz um trabalho tão bom de construir e mostrar suas motivações, medos, e adicionar pequenos mistérios na história: por que a varinha de Hugo é tão poderosa, e por que o escolheu como mestre? Qual é a verdadeira descendência de Hugo e por que um certo fantasma vive chamando o garoto de “Pequeno Obá”?

A Arma Escarlate é apenas o primeiro de uma série que até agora tem 4 livros lançados: A Arma Escarlate, A Comissão Chapeleira, O Dono do Tempo (Parte I e II).

Nota da Larissa (@cons.ciencialiteraria): 4 estrelas


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