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Por: Jamerson Nascimento 20/05/2024
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Back To Black: Apenas uma rehab para salvar esse longa

“Back To Black” já está em cartaz nos cinemas

Mesmo tendo se passado quase 13 anos, eu ainda consigo lembrar exatamente o que eu estava fazendo quando, no Jornal Hoje, da Rede Globo, foi anunciada a morte de Amy Winehouse em 23 de julho de 2011.

Acredito que esse tenha sido um dos primeiros momentos em que entendi que nunca mais ouviria sua voz tão marcante em algum conteúdo inédito. Na época eu sabia, de forma muito precária, um pouco dos desafios e dificuldades que Amy enfrentava. Já havia visto fotos pela internet, as quais nunca deveriam ter sido publicadas pela imprensa mas que, na época, assim como ocorreu em certo nível com Britney Spears, provavelmente faturaram milhões.

Mas, ainda assim, em um curto período de carreira, Amy foi capaz de conquistar milhares de fãs ao redor do mundo com suas composições e seu timbre inconfundível e, portanto, merecia uma homenagem de Hollywood a altura de sua personalidade.

O novo longa da Focus Features, “Back To Black”, não chega nem perto de ser algo assim. Falta. Falta muito para que essa produção seja digna de nota na posteridade.

O longa se propõe a contar a história de Amy desde o início de sua carreira até a cerimônia do Grammy onde ela fatura 5 das 6 indicações que recebeu mas opta, deliberadamente, por tirar de campo a figura de Mark Ronson, produtor que teve uma grande importância nesse capítulo da vida e da carreira da cantora. Uma decisão, no mínimo, questionável.

Apesar do ótimo talento vocal da interprete de Amy na produção, a presença de Marisa Abela em tela não consegue contagiar o suficiente. E se a protagonista não consegue fisgar em cheio o espectador, o elenco de coadjuvantes, então, se torna ainda mais esquecível.

O roteiro de Matt Greenhalgh cria uma grande salada entre os acontecimentos e não consegue desenvolver a narrativa com o cuidado que ela merecia. Além disso, falta coragem em se aprofundar e retratar realmente a personalidade daqueles que foram escolhidos para contar essa história. Tudo fica nadando na superfície, tornando assim, um acumulo de personagens bidimensionais

Com exceção da cena em que mostra a gravação da clássica “Back To Black” em estúdio, as demais canções escolhidas para fazer parte do longa são jogadas a sorte no decorrer da projeção ao invés de serem utilizadas como forma de contribuir de maneira ativa com o andamento da narrativa.

A direção de Sam Taylor-Johnson é ainda mais desestimulante, uma vez que ela não busca trazer nenhuma inovação ou alguma outra nova perspectiva em sua forma de contar histórias. Falta inventividade, falta o desejo de fazer algo realmente memorável.

É de uma tristeza imensa uma personalidade tão forte como Amy Winehouse ganhar uma cinebiografia tão fraca, dispensável e genérica como esta.

Se você deseja conhecer realmente a vida, carreira e os altos e baixos da cantora britânica, assista ao excelente documentário da A24 chamado “Amy“, dirigido por Asif Kapadia e lançado em 2015. Garanto que será uma experiência infinitamente melhor. E em relação a “Back To Black“, só mesmo uma longa rehab para salvá-lo da mediocridade.

Texto Elaborado por Jamerson Nascimento.

Trailer Oficial
Amy Winehouse Back To Black Marisa Abela Sam Taylor-Johnson
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