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Filhos de Sangue e Osso, de Tomi Adeyemi

filhos de sangue e osso

Desde que terminei de ler Filhos de Sangue e Osso, de Tomi Adeyemi, há algumas semanas atrás, só consigo pensar e falar nele. Algumas pessoas, sem terem lido o livro, podem não entender o motivo que me levou a tal encantamento. Minha missão aqui é, então, tentar fazer você também se encantar por ele.

Em Filhos de Sangue e Osso, conhecemos Zélie Adebola, uma adolescente divinal, ou seja, uma jovem do povo maji cuja magia não foi despertada, o que dificilmente acontecerá, pois anos antes os os maji perderam sua magia e foram caçados, capturados e dizimados pelo governo. Restam apenas os divinais, sem poder algum.

Quando seu destino se cruza com o da princesa fugitiva do reino de Orishä, e o irmão de Zélie, Tzain,  os três partirão em uma jornada pelo reino em busca dos artefatos que podem ajudar a recuperar a magia e despertá-la nos divinais. Porém, eles existe um obstáculo: eles estão sendo caçados pelo príncipe Inan a mando do rei, que quer acabar ainda mais com o povo maji e manter a magia destruída.

Um dos pontos mais fortes desse livro é a construção de mundo. Todo o livro é baseado na cultura iorubá, na qual a filhos de sangue e ossoautora se aprofundou muito, e todo o universo que ela constrói é extremamente rico, detalhada, e bem estruturado. Para um livro de 500 páginas, Tomi Adeyemi foi excepcional nesse quesito.

Até então, eu nunca havia lido um livro internacional de fantasia com inspiração em alguma cultura africana, e esse foi o início perfeito para mim. Para quem está procurando um universo bem original, eu recomendo muito. Além disso, toda a base na cultura iorubá foi feita de maneira bem respeitosa e, por meio de resenhas em sites como Skoob e Goodreads, podemos ver que ele também agradou às pessoas praticantes da umbanda e do candomblé, pelo modo como tratou a cultura.

A construção dos personagens é, em geral, excelente. A protagonista Zélie e a princesa Amari são, certamente, exemplos que irei levar para frente de mulheres fortes e bem desenvolvidas na literatura, especialmente na fantasia, onde estamos acostumados com personagens femininas sendo tratadas como nada mais que objetos. A construção do romance e do príncipe Inan deixa um pouco a desejar, mas, de resto, não há nada a reclamar nesse ponto.

A parte mais importante de se falar sobre esse livro é a representatividade: todos os personagens do livro são pessoas negras e é um livro escrito por uma autora negra. O livro pode ser, em alguns momentos, clichê, sim. Mas quantas vezes nós vemos pessoas negras protagonizando clichês? Quase nenhuma. Filhos de Sangue e Osso mostra como as coisas estão, vagarosamente, mudando. Estamos vendo uma onda crescente de livros, internacionais e nacionais, protagonizados por minorias, as quais, finalmente, podem se ver em seus livros preferidos.

Filhos de Sangue e Osso foi um livro que me encheu de revolta e esperança, me tocou e me marcou de uma forma que poucos livros que eu li esse ano me marcaram. Irei levar essa história no meu coração, e virou uma das favoritas de 2020.

 

Tzain aperta o punho na testa como se pudesse atravessar o próprio crânio. Quer acreditar que seguir as regras da monarquia vai nos manter em segurança, mas nada pode nos proteger quando essas regras têm raízes no ódio.” (Filhos de Sangue e Osso – Tomi Adeyemi)

 

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