O Império Madam C.J Walker

Madam C. J. Walker é a minissérie da Netlfix inspirada no império e na vida da empresária Sarah Breedlove

 

Império Madam C.J Walker
Sarah acumulou uma fortuna estima em 8 milhões de dólares. Crédito: Reprodução.

Sarah Breedlove (Octavia Spencer) é uma mulher nascida em Luisiana (EUA) e é filha de ex-escravos. Foi a primeira filha a nascer livre entre os 7 irmãos. Mas não é esta a história contada pelo streaming em 4 capítulos, e sim a história da primeira mulher negra milionária dos Estados Unidos. Criadora de um império de produtos para cabelos afro. 

Eu não diria que a história contada seja de superação, nem categorizaria como drama. Esta história é sobre a potencialidade de uma mulher negra, a potência que temos quando sabemos que a possuímos. Calma, que já já vai fazer sentido. 

Império Madam C.J Walker
Madam C.J Walker inspirou mulheres à independência financeira. Crédito: Reprodução

Dois de seus irmãos foram barbeiros e, cansada de lavar roupas para fora, descobriu que era uma excelente vendedora de produtos de tratamento capilar para outras mulheres negras e se tornou empreendedora por suas próprias mãos. Obviamente que antes disso, ela passou por mais sofrimento e foi descredibilizada por seu tom de pele negro retinto. Foi descartada. 

 

 E a partir deste episódio em sua vida, que a até então Sarah, a lavadeira, inicia uma jornada de pequeno negócio que envolveu toda a família e fez nascer a sua grande rival na história, Addie Monroe (Carmen Ejogo), a sua ex empregadora. 

Império Madam C.J Walker
Sarah tem a sua imagem vinculada apenas a uma lavadeira, não a beleza. Crédito: Reprodução.

 

~ Bom, aí nesse momento a gente dá uma pausinha na narrativa audiovisual e corta pra “vida real” e a história contada na biografia de Madam: Eis que Annie (sim, Annie Malone), não era tão rival da Sarah assim, mas foi adaptada e se tornou a personagem fictícia que no início nos dá uma coceirinha no coração e, mais tarde, ranço nível médio.  Aqui conta melhor da relação destas duas para além da série. 

 

Apesar de ser conhecida como Madam C.J. Walker, aqui vamos chamá-la de Sarah, ok? Notou? Isso é porque este nome é de seu terceiro marido, Charles Joseph Walker (Blair Underwood). Bom, a gente sabe que é histórico as mulheres se casarem, receberem o nome do esposo e serem reconhecidas socialmente pelo mesmo, então com SARAH não foi diferente. Só que, neste caso, conforme ela foi crescendo, foi este nome que a acompanhou. Aí meu amor, esse nome passou a ser dela e não dele. Forte isso né?

Falando em Charles, ele foi um bom marido no início. Mas “se deixou permear” por muitas noias, vamos chamar assim, e isso transformou a relação dos dois, mas se eu disser mais, vou contar a história toda e não é a intenção. Mas é importante saber que o marido foi um bom apoiador da carreira dela, mesmo com os seus problemas e com o tipo de sociedade da época (bem mais machista e patriarcal do que a de hoje). Ele era publicitário para jornais. 

Império Madam C.J Walker
Além de empresária, Sarah foi filantropa, ativista política e social. Crédito: Reprodução.

Bom, a empresária tinha uma visão boa para os negócios, iniciou o procedimento em si e na filha, fazendo assim as primeiras propagandas. Depois, panfletou pela vizinhança e assim foi aumentando a sua área de abrangência até se tornar um império da beleza nos Estados Unidos. Não é a toa que entrou para o livro dos recordes (Guinness Book) como a primeira mulher negra a ser milionária. 

 Quanto a parte técnica da obra, ela não chega a ser uma biografia por não ser exatamente a história de alguém, contém partes ficcionais e deixa bem explícito que foi inspirada em Sarah (mesmo que 99%, rsrs). As cores e o figurino do filme me encantam. A maior parte do filme é retratado em tons pastéis, atribuindo uma sensação de elegância e simplicidade, conforme a personagem principal. E o figuro… bom, a minha descrição no perfil é “amante de moda e brechó”, então não tem como não amar como o filme mostra as diferenças de roupas e épocas, como por exemplo, quando ela e sua A’Lelia (interpretada por Tiffany Haddish) vão para o Harlem, em Nova Iorque e mais tarde, quando a menina já tem sua própria franquia e está vestida com trajes à la Belle Époque.    Sério, reparem nos trajes!! 

No mais, a série aborda mas não explora tanto quanto poderia a questão do colorismo (problemática oriunda de

Império Madam C.J Walker
Registro da real Sarah Breedlove. Crédito: Reprodução.

negros miscigenados com pessoas não-negras, tendo como resultado “preto mais claros” e “pretos retintos”) – notem a diferença de tratamento entre as personagens de diferentes tons mesmo que ambas sejam negras – e a questão do machismo entorno de sua carreira. 

Este é o site de Sarah. Nele contém mais de sua história, legado e empreendimento: http://madamcjwalker.com/ 

A série no idioma original é conhecida como Self Made (feito por si?, em tradução livre) e tem como produção executiva, entre outros nomes, Lebron James e a própria Octavia.

Os episódios são entre 44-55 minutos e foi baseado no livro On her Own Ground: The Life and Times of Madam C.J. Walker, de Lelia Bundles

 

É isso que acontece quando a gente se reconhece como potência. É isso e muito mais que tenho certeza que não estão nos registros. 

 

Dito isso, só posso te convidar a assistir a série. Quer olhar o trailer? Aqui está. 

 

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