princesa - Nerd Recomenda

Princesa – Esqueça os contos de fada

Em um país onde a vontade das mulheres é reprimida, a voz de uma princesa é a única denúncia

 

Leis baseadas no Alcorão, mulheres com a única função de procriar ou servir de objeto sexual para os homens. Essa é a realidade apresentada no livro Princesa, que pega de surpresa quem carrega uma primeira ideia por causa do nome da obra.

Narrado em primeira pessoa e resultado de diversas conversas secretas de uma princesa com uma amiga, o livro apresenta a história de Sultana, uma das 10 filhas do relacionamento de seus pais. Relatando trechos de sua sua infância,  do relacionamento com a irmã mais próxima Sara e seu único irmão Ali, os casamentos, as viagens a outros países, e o mais importante, sua luta para combater as injustiças cometidas contra as mulheres na Arábia Saudita, o livro Princesa é uma história chocante sobre o sexo feminino.

Sultana não é uma combatente de frente, mas sua força vem a partir de atos de desobediência à seu pai, irmão, marido, e até mesmo de outras mulheres que carregam consigo a visão patriarcal da cultura Islã.

Entre casamentos arranjados, casos de estupro, apedrejamento de mulheres consideradas infiéis e um tratamento mais flexível aos crimes cometidos por homens, Sultana narra as experiências que a personagem viu e enfrentou. Mesmo sendo de família real, a princesa não deixou de passar por injustiças cometidas por pessoas do sexo masculino e, com a sua vida regada a luxo, diferente de outras mulheres no país, não ficou ilesa das ordens patriarcais.

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As filhas da Princesa faz parte da trilogia de Jean P. Sasson. Créditos: Amazon/Divulgação

Além da história da própria Sultana, o livro traz um conteúdo interessante e chamativo, a começar pela sua introdução. No início, somos apresentados à história de forma resumida para nos habituarmo ao cenário. Ao final, também há a presença de um apêndice com versos do Alcorão que baseia as leis em relação ao tratamento destinado às mulheres, uma linha cronológica da cultura Islã e como se entrelaça com a história da família de Sultana.

É muito satisfatório ler os gestos de desobediência da protagonista. Coisas que para nós do Ocidente seriam vistas como normais e simples, na Arábia Saudita são demonstrações de rebeldia e até mesmo de grandes vitórias para a imagem feminina, como poder escolher o homem com quem quer casar, dirigir e tomar decisões à respeito de sua família.

Desacatar ordens do pai, colocar o irmão Ali em situações graves para se vingar das maldades cometidas por ele, e até mesmo entrar na Mesquita, algo proibido às mulheres no país, e esconder objetos pornográficos do irmão nomeados dentro do local, são alguns dos atos realizados por Sultana.

Em Princesa, também são presentes as comparações culturais entre o Ocidente e Oriente feitos pela protagonista, como durante a chegada de sua primeira menstruação. No Ocidente o tema é quase um tabu entre a sociedade, mas na Arábia Saudita trata-se de um momento muito esperado e comentado pelas mulheres.

Com uma narrativa fluida, o livro possui um pouco da história do Oriente Médio e regras do Alcorão, mas esses elementos foram apresentados de uma maneira na história que se entrelaça à obra, colocando-os de forma informativa, mas não à ponto de quebrar a narrativa.

Com certeza é uma obra que choca quem lê. Ver de maneira tão clara a realidade das mulheres na Arábia Saudita é totalmente revoltante, fazendo o leitor comemorar cada ato de desobediência de Sultana, ao mesmo tempo em que surge um sentimento de tensão sobre a segurança da protagonista. 

Escrito por Jean P. Sasson, lançado em 1992 e publicado no Brasil pela editora Best Seller, o livro Princesa faz parte de uma trilogia, sendo Princesa o primeiro volume. Os dois seguintes são As filhas da Princesa e Princesa Sultana.

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