Os Sofrimentos do Jovem Werther e o Amor Líquido de Bauman

Os Sofrimentos do Jovem Werther: Uma pequena análise em sua problemática, seus contextos e relação com a Teoria da Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman.

 

Os Sofrimentos do Jovem Werther
Os Sofrimentos do Jovem Werther | foto: divulgação

No mundo da literatura clássica há, sem sombra de dúvidas, diversas obras problemáticas e cheia de conteúdos que na era atual seriam tratados como inapropriados, ou mesmo grotescos e antiquados.

Os Sofrimentos do Jovem Werther transita entre ser perfeito para o contexto de sua época (era romântica) e extremamente cansativo no século 21. Embora, para quem tem uma visão mais aberta do mundo da literatura, que leem de tudo um pouco, talvez não tenham tanto problema assim.

Na obra, posteriormente transformada em um livro do mesmo autor, é  retratada a vida do jovem Werther após se mudar de sua cidade natal.

Um ponto importante e positivo do livro é de que não são mencionados nomes verdadeiros de lugares ou pessoas, eles são representados por algum tipo de símbolo ou inicial do nome. 

Os textos, escritos em formas de cartas endereçadas ao seu grande amigo, uma personagem indefinido (que, no caso, somos nós leitores), são extremamente detalhistas e gradativamente mais tristes. Vamos aprendendo pouco a pouco sobre a vida de pessoas das quais não sabemos o nome, e lugares que nem imaginamos onde ficam.

Para adicionar um mistério a situação, o livro tem datas, mostrando o tempo de comunicação entre Werther e seu verdadeiro amigo. Nós podemos perceber o quão problemático o eu lírico é quando observamos suas emoções variarem do amor ao ódio de forma intensa e sem avisos.

Werther se apaixona por uma jovem, uma prima de grau distante, e sem sequer uma única gota de esperanças dada pela garota, ele fantasia todo um relacionamento profundamente doentio, por conta disso as coisas começam a piorar quando sua “amiga” lhe apresenta o noivo da garota, e Werther acredita possuir a missão de “salvá-la” de um amor sem futuro.

 

A teoria do amor líquido de Bauman.

Os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar. – Zygmunt Bauman

Os Sofrimentos do Jovem Werther
Zygmunt Bauman (1925 | 2017)

 

Zygmunt Bauman foi um sociólogo, filósofo, professor e escritor polonês criador da teoria da modernidade líquida, que seria uma espécie de continuação da Modernidade, com uma significativa mudança nas relações sociais entre indivíduos.

 

Vamos agora relacionar o amor líquido de Bauman e a era romântica representada no romance de Johann Wolfgang von Goethe.

Bauman explica em sua teoria que os avanços tecnológicos mudaram o mundo, não apenas em relação ao método de trabalho e lazer, mas também na forma com a qual as pessoas enxergam suas relações. A facilidade com que trocamos de celular, da mesma forma que transitamos entre relações interpessoais nos tempos atuais é retratada como modernidade líquida pelo filósofo. A velocidade que as pessoas aprendem umas sobre as outras é a mesma com a qual se distanciam ou perdem interesse após qualquer “dificuldade”.

Isto, observado de longe, é algo ruim. Bauman explica que esses avanços mostram como o amor se tornou algo prático e descomplicado, e é algo raro e genuíno quando encontrado. No caso de Werther, o romantismo e a depreciação impregnada na obra, demonstra que o amor não correspondido era um problema sério em sua época, quando as mulheres (em sua maioria) sofriam perseguições e até mesmo ameaças. Werther é o completo oposto da humanidade do século 21, seu desespero e sua obsessão por uma simples mulher o levaram ao delírio e à um fim trágico.

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