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Crepúsculo: Uma boa hora para rever nossas atitudes | Cynthia Diniz

Crepúsculo, o primeiro livro da saga, foi lançado em 2005, e seu último filme, Amanhecer Parte 2, é de 2012. Sentiu como o tempo passou? Porque eu com certeza sim.

Crepusculo

Depois de tanto tempo, quando pensamos que já estava tudo bem e a sociedade seguia seu rumo em direção ao futuro, Stephenie Meyer nos puxa de volta anunciando o lançamento de Sol da Meia-Noite (a notícia você encontra aqui) – aquele livro cujo começo eu tenho certeza de que muita gente leu em um pdf ilegalmente adquirido. 

Mas a questão desse texto nem é essa. Antes mesmo desse anúncio arrasador, já era possível sentir em vários recantos do mundo um momento que eu gosto de chamar de “a renascença de crepúsculo”.

O que eu quero dizer com isso? Depois de tantos anos, muitas pessoas resolveram revisitar este célebre romance paranormal, ou finalmente dar uma primeira chance a ele, sejam os livros ou a coletânea de filmes.

Ora, eu fui uma dessas pessoas – na época, fui uma daquelas que acompanhou cada lançamento dos livros, porém nunca tinha visto todos os filmes até recentemente. Agora, após rever a história com meu olhar crítico de mais de 10 anos no futuro, eu cheguei a uma conclusão tremendamente importante: Crepúsculo não é nem de longe tão ruim quanto todos fazem parecer, seus chatos mal-amados.

Também não estou aqui para dizer que esta seja uma grande obra-prima de nível shakespeariano (com certeza não). A questão é que, ao acompanhar de novo a história, percebi o quão menos problemática ela era, comparado ao que todos me faziam “recordar”. 

O comportamento stalker de Edward Cullen no começo era meio creepy? Sim. Bella Swan desenvolveu uma dependência a um nível quase não saudável em relação ao seu namorado vampiro? Por vezes, sim também. O imprinting de Jacob Black em uma bebê é extremamente bizarro até dentro de contexto? Todo mundo sabe que sim. Só que, ainda assim, todos esses fatores não justificam o tamanho do ódio que foi despejado sobre a saga, e sobre os fãs, durante a última década.

Qual me parece, então, ser a justificativa mais plausível de todo esse sentimento de aversão à saga? Eu diria – e não sou só eu, diga-se de passagem – que é pelo simples fato do seu público alvo ser majoritariamente meninas adolescentes entre 13-16 anos. É curioso notar como praticamente todo conteúdo voltado para essa faixa etária, não importa a época, é ridicularizado e rotulado como um entretenimento de “baixo nível”. Para quê tanta implicância com Rebelde, Restart, One Direction, Now United, e K-Pop? Muitas dessas produções tem na verdade bastante qualidade, considerando seus propósitos. E para aquelas não tão boas:  seria isso um crime tão grande assim? Às vezes as pessoas curtem coisas meio ruins, Karen. Não precisa destilar seu ódio contra isso, concorda?

A própria roteirista dos filmes de Crepúsculo, Melissa Rosenberg, comenta sobre isso em uma de suas entrevistas:

“Vimos mais do que nossa cota de filmes de ações ruins, filmes ruins voltados para homens ou meninos de 13 anos. E sabe, as resenhas são como ‘ok, isso foi péssimo, mas foi divertido’. Mas ninguém diz: ‘Oh meu Deus. Se você assistir esse filme, você é um completo idiota. E esse é o tom […] com o qual as pessoas atacam Crepúsculo.”

Não é muito justo, hein.

E para os que embasam suas críticas, de maneira mais coerente, no argumento do romance ser um mau exemplo de postura em relacionamentos: calma lá também

No que diz respeito ao casal protagonista, a dinâmica é sinceramente boa na maior parte do tempo. Edward Cullen é um namorado bem da hora que sempre respeita as escolhas da Bella mesmo que se contraponham às suas próprias, e as decisões importantes do enredo – como a transformação da moça em uma vampira – são discutidas pelos dois e acertadas através de concessão e comprometimento.

Permita-me lembrar aqui de uma cena onde Jacob beija Bella à força, em Eclipse, o que resulta em uma Bella com a mão quebrada por socá-lo logo depois. Edward fica pistola ao saber do acontecido e confronta Jake? Sim. Mas a razão principal? Não houve consentimento. Não foi um “fica longe da minha mina”, foi um “não encoste nela sem a permissão da mesma, colega”. Muito bem Ed, é assim que se faz.

Fora que as relações familiares dos protagonistas são mostradas de forma bem saudável – os Cullen são super unidos e se importam muito uns com os outros; Charlie e Renée são bons pais e bastante compreensivos, levando em conta as situações um tanto quanto absurdas trazidas pela Bella, com pouquíssimas explicações.

Dá para sacar o que quero dizer? Não estou absolvendo a saga em sua totalidade, mas, poxa vida, deem um desconto para ela.

cREPUSCULO

Para conhecer mais do que Cynthia escreve, acesse o Murasaki Chou: https://murasakinoblog.wixsite.com/blog

 

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