Do Humor as Lagrimas Saindo da Zona de Conforto Reine Sobre Mim, Poderia Me Perdoar, Querido Menino

Do Humor às Lágrimas: Saindo da Zona de Conforto

Adam Sandler, Melissa McCarthy e Steve Carrell provando que além de nos fazer rir, também podem nos fazer chorar

A zona de conforto atinge a boa parte, se não, todos os seres humanos desse planeta. Sim, já começamos a resenha de hoje com uma informação pra lá de óbvia, não é mesmo? Mas, acoplada a essa zona “tão querida”, também temos uma forte carga de insegurança e medo que nos afeta quando pensamos em arriscar sair dela para enfrentar quaisquer novos desafios.

Zona de Conforto
Exemplificação da Zona de Conforto e seus estágios seguintes | Luis Poletti

Porém, um ponto essencial diferencia algumas dessas tentativas de outras, por exemplo, se semana que vem eu decidir mudar radicalmente e arriscar viver uma vida de acrobata temos 50% de chances de ser um grande sucesso e 50% de chances de eu falhar miseravelmente nesse processo, mas independente do resultado, provavelmente ninguém além daqueles mais próximos a minha pessoa saberia dessa minha virada de chave, a menos, é claro, que eu saísse divulgando a torto e a direito tudo isso e ainda assim não atingiria nem de perto o nível de exposição das pessoas que falaremos a seguir.

Mas, e quando elevemos isso ao patamar de astros de cinema que já nos acostumamos em acompanhá-los em apenas um gênero especifico e que, de repente, nos apresentam um novo trabalho que é o completo oposto daquilo tudo que já víamos? Aqui também temos o mesmo 50/50 citado anteriormente, porém caso haja o fracasso, centenas e milhares de veículos da imprensa sugaram até o último na ânsia de monetizar com esse conteúdo (e convenhamos, isso será feito da maneira mais sensacionalista possível e, por vezes, até de forma nada honesta).

Hoje não iremos falar dessas tentativas tidas como “desastrosas” por alguns e, sim, falar de alguns atores e atrizes que possuem, na maioria de seus currículos, personagens em produções de comédia, mas que se arriscaram tentando um papel em filmes onde o foco era o drama e deram um verdadeiro show de atuação, mostrando sua versatilidade e provando que podem ir muito além.

Então sem mais delongas vamos começar com aquele que é o mais subestimado de todos e provavelmente o que já recebeu mais indicações em toda a história do “Framboesa de Ouro”, premiação que satiriza o “Oscar”. Abrindo nossa lista de hoje, Adam Sandler.

Antes do aclamado filme produzido pela Netflix, “Jóias Raras”, ganhar vida, o ator já havia dado uma amostra de seu potencial dramático no longa de 2007 chamado “Reine Sobre Mim”, o qual você talvez nunca tenha ouvido falar, já que as suas inúmeras comédias acabaram por esconder essa preciosidade do público.

Em “Reine Sobre Mim” (Reign Over Me, no original), Adam Sandler interpreta Charlie Fineman, um homem que perdeu toda a sua família em um dos maiores desastres que a população dos EUA já presenciou: no triste e fatídico ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Essa informação é apresentada de maneira sutil, assim como todas as referencias a esse acontecimento em todo o filme.

Saindo da Zona de Conforto: Reine Sobre Mim
Don Cheadle e Adam Sandler em cena de “Reine Sobre Mim”

Charlie sofre de um profundo estresse pós traumático e conforme volta a interagir com Alan Johnson, um antigo colega de faculdade, que ele bem lentamente vai conseguindo juntar forças para enfrentar essa realidade, rendendo um dos monólogos mais tocantes que eu já vi Adam Sandler interpretar em tela e que, sem dúvidas, é capaz de emocionar até o ser humano mais bruto.

Mesmo que, em breves – e poucos – momentos, possamos reconhecer ali trejeitos e expressões do costumeiro comediante que já estamos familiarizados, em boa parte do filme Adam nos mostra um lado completamente diferente, cheio de camadas, conseguindo nos convencer de todas as questões internas que seu personagem enfrenta, sem diminuir sua complexidade e profundidade, além de nos impactar com a sua representação da instabilidade de emoções vivida por Charlie, indo da calmaria a explosão em questão de segundos.

Sim, no geral, esse é um daqueles filmes classificados como tristes, mas que, ao subir os créditos finais, você vai se questionar: “Por que eu demorei tanto pra assistir isso???”. Sem contar que a trilha sonora, pra quem é fã de rock, é um prato cheio contando com faixas de The Who, The Pretenders, Bruce Springsteen e também Pearl Jam.

Trailer Oficial de “Reine Sobre Mim”

Seguindo nossa lista, agora vou falar de uma atriz que ano após ano vem ganhando mais a nossa atenção e que agora está cotada para interpretar a vilã Úrsula na vindoura adaptação live action do clássico da Disney “A Pequena Sereia”. Essa é Melissa McCarthy.

Baseado em uma história real, “Poderia Me Perdoar?” (Can You Ever Forgive Me?, no original) traz Melissa no papel da escritora Lee Israel que, após entrar em uma difícil crise financeira, começa a falsificar e forjar cartas de escritores e dramaturgos renomados e conhecidos, as vendendo como relíquias para colecionadores.

Esse longa rendeu uma indicação para McCarthy no Oscar de 2019 na categoria de “Melhor Atriz” e, ao assistir sua performance, entendemos o por que. Melissa nos entrega uma mulher fechada, com dificuldades para socializar, com problemas com bebida e que, por mais que já tenha feito parte da lista de Best Sellers do The New York Times, se vê sem recursos para a produção de sua nova obra enquanto que outro escritor, por ser famoso e carismático aos olhos do público (mesmo que seja machista como uma das personagens cita no filme), ganha todos os valores que deseja.

Saindo da Zona de Conforto: Poderia Me Perdoar?
Melissa McCarthy e Richard E. Grant em cena de “Poderia Me Perdoar?”

Melissa tem todo um cuidado com a sua personagem nos entregando um trabalho contido, se desprendendo de todo aquele sarcasmo já tão característico do seu estilo de humor e atuação e isso possibilita que a atriz brilhe devidamente no seu papel.

E unindo o trabalho minucioso de Melissa com a direção de Marielle Heller, no fim, acabamos por criar uma empatia pela personagem mesmo com todos os seus problemas, atitudes e jeito de ser, então por mais que saibamos que os meios utilizados por Lee para atingir o sucesso no meio literário estejam completamente fora da lei (e o longa faz questão de deixar isso em evidência), a personagem acaba nos conquistando.

O jazz que embala toda a trajetória de Lee também é totalmente irresistível e eu ficaria horas e horas só ouvindo esse instrumental com toda a certeza.

Trailer Oficial de “Poderia Me Perdoar?”

E agora pra fechar essa resenha, também trouxe um filme do interprete do nosso eterno Michael Scott da série “The Office”. É claro que não poderia faltar Steve Carell e o filme escolhido para essa lista foi lançado lá em 2018.

Querido Menino” (Beautiful Boy, no original) nos apresenta David Sheff, um pai que ao descobrir que o seu filho mais velho, Nic, está se perdendo no mundo das drogas, em especial no vício por metanfetamina, decide iniciar uma pesquisa profunda acerca dos efeitos e possíveis danos que o seu filho possa sofrer caso não consiga largar o uso da substância.

Cheio de cenas potentes e diálogos intensos, Steve Carell entrega tudo e mais um pouco nessa produção. O filme, que é baseado em uma história real, não tem margem para piadas, sarcasmo ou ironias e acompanhar a jornada desse pai tentando entender o que levou o seu filho a tomar esse caminho enquanto ele vai se afundando cada vez mais nos dá um pequeno vislumbre do que diversas famílias enfrentam todos os dias quando um dos seus acaba se tornando um dependente químico.

Saindo da Zona de Conforto: Querido Menino
Timothée Chalamet e Steve Carell em cena de “Querido Menino”

É difícil, é desgastante, é sofrido e abala toda e qualquer estrutura pré existente no seio familiar e Steve mostra de maneira segura e forte a batalha que seu personagem enfrenta, os momentos de angústia, os dilemas, o seu cansaço em certo ponto da narrativa quando uma importante decisão é tomada de sua parte, mas também nos apresenta momentos de profundo amor e cumplicidade entre pai e filho.

Então, após as quase duas horas de duração, você se sente impactado, tocado e emocionado com essa história e com tudo aquilo que o filme trata e representa, já que o roteiro não faz questão de optar por um “caminho mais fácil” para resolução de seus problemas e pode ser que, ao final, você também se questione sobre o que faria se estivesse envolvido em um cenário parecido com este.

Trailer Oficial de “Querido Menino”

Bom, esses foram só alguns dos muitos atores e atrizes que resolveram se arriscar em outros gêneros e que se deram muito bem, desempenhando ótimos papéis e entregando performances incríveis.

Caso eu fosse citar outros exemplos provavelmente não conseguiria fugir de clássicos como “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, meu filme favorito do Jim Carrey, ou “A Vida Secreta de Walter Mitty” com Ben Stiller, outro filmaço que simplesmente amo por diversos motivos, então deixo aqui minha menção honrosa para esses dois títulos que também merecem ser conferidos muitas e muitas vezes.

Então mesmo que eu possa ter soado um tanto quanto negativo no inicio dessa resenha, é muito importante o “arriscar” sabe? Mesmo que não faça sentido para as outras pessoas, se fizer sentido para você, é o que importa.

O erro pode e vai acontecer, até por que não vivemos em um filme da Disney onde tudo é perfeito e resolvido com música, mas é interessante o “sair da zona de conforto” por que é em uma dessas que você pode acabar descobrindo o seu verdadeiro lugar no mundo e aquilo que te faz verdadeiramente feliz. Sim, eu sei, terminou parecendo um texto de autoajuda, mas é isso que temos para hoje pessoal hahah. Até a próxima resenha!

Do Humor as Lagrimas Reine Sobre Mim, Poderia Me Perdoar, Querido Menino
“Reine Sobre Mim”, “Poderia Me Perdoar?” e “Querido Menino” | Divulgação

Texto Elaborado por Jamerson Nascimento.


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