spin the down elizabeth lim

Spin the Dawn (Elizabeth Lim)

“The strands whisked down my back, landing at my feet in a pool of black satin, which the breeze from an open window swept apart as easily as feathers.” (Spin the Down – Elizabeth Lim)

“Os fios desceram pelas minhas costas, pousando aos meus pés em uma poça de cetim negro, que a brisa da janela aberta espalhou facilmente, como penas” (Tradução livre)

 

Spin the Dawn (Tecer a Alvorada), primeiro livro da série The Blood of the Stars (O Sangue das Estrelas), é mais um daqueles livros que dão vontade de comprar só pela capa. Foi exatamente o que eu fiz. De novo kkk Sorte minha que os deuses da literatura parecem estar ao meu lado nessas horas e não fui decepcionada quando comecei a ler Spin the Dawn sem nem ver a sinopse.

O livro é um lançamento internacional de 2019, ou seja, ainda não foi traduzido para o português, e nem ouvi notícias de alguma editora interessada em adquirir seus direitos autorais. Mesmo assim, acho que é uma ótima indicação pra quem busca por títulos para começar a ler livros em inglês, já que a escrita não é complicada e na internet é fácil encontrá-lo para compra.

spin the dawn
Capa Internacional de Spin the Dawn (Foto Divulgação)

A autora Elizabeth Lim tem descendência asiática e começou sua empreitada de escrita inventando histórias baseadas em Mulan. Em Spin the Dawn ela continua nessa pegada, fazendo várias referências ao conto, mas agora com personagens originais, em uma fantasia romântica, bem ao estilo conto-de-fadas.

Sobre a história: A’landi é um país fictício ambientado com elementos da China antiga que acaba de fazer as pazes com Agoria, sua nação vizinha,  encerrando um longo período de guerra na qual várias vidas, de ambos os lados, foram perdidas. Maia Tamarin, filha mais nova de quatro irmãos e a única a herdar as habilidades do pai para a costura, perdeu muito nessa guerra, incluindo dois de seus amados irmãos. Maia é a única que ainda tem forças para manter o que resta de sua família unida e viva, mas o dinheiro é escasso e, neste mundo, é impossível para uma mulher ser reconhecida como um Mestre Alfaiate, pois este é um posto destinado apenas para os homens.

A nova paz selada entre os reinos depende, no entanto, do casamento entre a princesa e o príncipe herdeiro de cada reino. Com a súbita morte do alfaiate real, um comunicado é enviado para os doze melhores Mestres Alfaiates de toda A’landi, incluindo o pai de Maia, fraco demais para uma viagem até o palácio real.

A única que poderia representar a família Tamarin em lugar de seu pai é Maia. A garota então, no maior estilo Mulan, corta o cabelo, troca de roupa, ajeita sua melhor postura masculina, e foge de casa para se apresentar como Keton Tamarin, único descendente masculino de seu pai, e assim participar da competição que decidirá o próximo Alfaiate Real.

Está posta então a mesa com todas as condições para criar uma ótima história a la Mulan, com uma protagonista determinada que é a personificação do girl power sem precisar matar uma mosca, pois a fonte de força dessa personagem encontra-se em sua força de vontade, inventividade, amor e dedicação à sua família e princípios.

 

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Maia, Edan, Khanujin e Sarai, personagens de Spin the Dawn (Ilusstrações de @Kat_adara)

 

Spin the Dawn pode ser dividido em duas partes (que poderiam inclusive ter sido separadas em dois livros diferentes, tão distintas são uma da outra): a competição entre alfaiates, e depois a jornada de Maia para costurar os três vestidos de Amana, considerados apenas um mito.

Cada uma dessas partes tem seu charme próprio. Na primeira, Maia cresce como personagem ao passo que somos apresentados às intrigas reais e à importantes personagens como o Imperador Khanujin, a futura rainha Sarnai, e o feiticeiro real, Edan. É aqui também que começamos a notar os primeiros traços de magia da nossa protagonista. A segunda parte da história, mais intimista e aventuresca, é bem mais parecida com um conto-de-fadas, pendendo bastante pro lado do romance.

 

“It was the tale of a boy, too. A boy who could fly but not swim. A boy with the powers of the gods but the shackles of a slave. A boy who loved me.” (Spin the Down – Elizabeth Lim)

“Era a história de um garoto, também. Um garoto que podia voar, mas não nadar. Um garoto com poderes de um deus, mas os grilhões de um escravo. Um garoto que me amava.” (Tradução Livre)

 

E falando em romance, vamos já comentar sobre ele. Achei que escalou um tantinho rápido esse negócio. Até gosto dessas histórias em que os dois amantes dariam a vida um pelo outro e tal, mas senti que faltou uma construção mais gradual desse sentimento. O fato de as cenas românticas serem tão charmosas e a escrita da autora tão cativante é o que, no final, me fez aceitar bem o romance, apesar desses detalhes.

Ah, e sobre a escrita ainda, Elizabeth Lim é incrível em suas descrições de tecidos, luzes, roupas, e tudo que envolve costura. A escolha inteligente de palavras durante toda a trama trazem à tona com extrema vivacidade a visão de Maia, uma alfaiate de mão cheia.

Spin the Dawn é uma leitura bem gostosa pra quem curte romance e fantasia sem muita luta e pancadaria. O segundo livro da série, Unravel de Dusk (Desfiar o Anoitecer), está previsto para julho deste ano nos EUA. Até lá, vou ficar de olho nas notícias, pra saber se teremos versão brasileira para essa história.

 

Classificação da Larissa (cons.ciencialiteraria): 4 estrelas

 

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