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STARGIRL E A ERA DE OURO DOS HERÓIS

No dia 18 de maio estreou STARGIRL, a nova produção do serviço de streaming DCU 

STARGIRL E A ERA DE OURO DOS HERÓIS
Na séria, Stargirl é interpretada por Brec Bassinger. Crédito: Reprodução.

A série, em parceria com a emissora The CW Television Network, adapta a personagem homônima da DC Comics, Courtney Whitmore, criada por Geoff Johns, que ocupa o cargo de showrunner da produção.

STARGIRL E A ERA DE OURO DOS HERÓIS

Nos quadrinhos, Courtney é a heroína que assume o legado de Starman, um herói clássico membro da Sociedade da Justiça da América, um grupo vindo diretamente da Era de Ouro da DC Comics.

Aos olhos atuais, o tom das publicações soa antiquado e até mesmo conservador, de modo que muitos estudiosos dos quadrinhos tratam tal período com certo valor histórico, permitindo a compreensão das raízes do fenômeno atual das adaptações das histórias de super-heróis.

No entanto, um fato curioso é a retomada dos temas da Era de Ouro justamente por Geoff Johns, que além de produtor das séries dos personagens da DC Comics, atua há muitos anos como um renomado roteirista da editora. Desde os anos 1990, o autor sempre trabalhou o tom clássico dos quadrinhos nos títulos que escrevia, como é o caso da própria Stars and Stripes, a revista em que a Stargirl apareceu pela primeira vez. Mas foi em 2016 que Johns conseguiu concretizar seu projeto maior para a DC: o Renascimento.

Essa fase dos quadrinhos da DC foi muito além da mera nostalgia. Johns apostava no caminho contrário das tendências das editoras, que cada vez mais se voltavam para narrativas violentas e sombrias com a intenção de firmar as HQs como “literatura madura”, vencendo um suposto preconceito sofrido pela mídia por aparentar ser um nicho voltado inteiramente para leitores mirins (barreira há muito transposta por autores como Art Spiegelman, Alan Moore, Grant Morrison e Neil Gaiman em seus trabalhos nos quadrinhos nos anos 1980). No Renascimento, a ideia era justamente valorizar o público infanto juvenil sem necessariamente banalizar discussões sociais atuais em prol de uma suposta simplificação narrativa.

Geoff Johns e os demais autores do Renascimento da DC trouxeram de volta o melhor do espírito da Era de Ouro da DC, mas sempre buscando atualizar as temáticas sociopolíticas nas obras, discutindo de fato como o Mito do Herói se reflete nas lendas que dominam a cultura popular atual, em especial Superman, Mulher Maravilha e Batman (a chamada Trindade da DC). 

STARGIRL E A ERA DE OURO DOS HERÓIS

A abordagem da simbologia e dos valores positivos por trás de cada herói foi primorosa, provando que essas narrativas podem não apenas apresentar uma nova literatura a novos leitores apostando em temáticas clássicas, como também atualizando as cronologias de cada personagem para o público já familiarizado, resgatando formações clássicas de equipes como a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça da América e colocando esses defensores em choque com questões pertinentes do contexto global, como as crises diplomáticas entre EUA e vários países do Oriente Médio, a crescente desigualdade social no planeta e as catástrofes climáticas ocasionadas em grande parte pela degradação ambiental desenfreada.

Desde a Grécia Antiga os heróis sempre foram ícones de valores tidos como positivos pelas sociedades de sua época. O Renascimento capta justamente essa essência ao abordar o panteão de lendas da DC, tendência que foi passada para as adaptações desses personagens.

STARGIRL promete ser o marco inicial para o resgate da Era de Ouro nas séries, tendo um começo surpreendente e satisfatório, com uma narrativa leve mas que em momento algum abandona a abordagem de discussões sociais contemporâneas e necessárias junto ao público jovem (por mais que consiga abranger todas as faixas etárias pela qualidade de sua narrativa).

 A jornada da Stargirl promete ser de fato brilhante!

 

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