Mídia Física

Físico ou Digital: O Ato de Colecionar e a Preservação da Mídia Física

Vamos conversar um pouco sobre a importância da Mídia Física?

Desde que eu me entendo por gente, eu sempre tive contato com as mais diversas mídias físicas existentes. Ainda pequeno pude ouvir aquele chiadinho característico antes da faixa de um disco de vinil começar a ser reproduzida, tive o prazer de rebobinar algumas fitas VHS antes de fazer a devolução para locadora, por vezes acordava mais cedo só pra sintonizar o rádio numa estação em especifico pra poder gravar uma música que eu gostava em uma fita K7 dando início a minha própria coletânea de “grandes sucessos”.

E, ao mesmo tempo em que eu tinha contato com essas mídias “antigas”, eu também experimentava as mídias “novas” da época como o CD e, logo depois, o DVD e, parando para analisar nesse momento, que época incrível em que eu vivi e que privilégio eu tive de poder curtir, mesmo que por um curto período, todas esses formatos quase que simultaneamente.

Para algumas pessoas que estão lendo essa resenha agora, talvez não façam nem ideia do que sejam essas coisas que eu acabei de citar logo acima, já que num mundo onde os streamings e o consumo digital dominam, a mídia física quase não tem voz.

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Exemplos de Fita VHS, Disco de Vinil, Fita K7 e CD/DVD.

Então, hoje eu vou falar um pouco sobre a importância desse material (com ênfase no cinema) e em como essa preservação, em parte feita por nós colecionadores, tem um valor tão grande.

Mas, antes de iniciar de fato o texto, te faço um questionamento: “Se a sua obra favorita fosse retirada hoje do catálogo dos serviços de streaming e você quisesse revê-la, como você faria para ter acesso a ela novamente?”. Antes de responder essa pergunta, te convido a voltar alguns anos no passado.

Desde pequeno, a vídeolocadora era um dos meus lugares preferidos de se estar, era onde eu passava quase todo dia após a escola pra ver se tinha alguma novidade disponível, mesmo que eu não tivesse condições de alugar nenhum título naquele momento.

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Registro da Videolocadora 2001 Vídeo, uma das mais populares de São Paulo, localizada na região da Avenida Paulista | Divulgação

Ver aquele paredão de filmes, primeiro em VHS e depois em DVD e Blu-Ray, era fantástico para aquele “pequeno cinéfilo em formação”, por assim dizer.

Foi a partir dessas idas frequentes que, aos poucos, foi nascendo o desejo de querer ter a minha própria locadora em casa e, então, como era de se esperar, teve inicio o meu projeto de colecionador de DVDs.

Porém, conforme o tempo passava, eu começava a perceber e a enxergar o ato de colecionar com outra perspectiva. Eu percebia que, a cada novo título que entrava na minha coleção, era uma maneira de garantir que esse filme não fosse esquecido.

Era uma forma de garantir que, as minhas futuras gerações, teriam acesso a essa produção e a esse tipo especifico de material como eu também tive, quando eu era mais novo, às mídias existentes antes dessa.

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Coleção de DVDs | ZomBeeBob

E, então, chegou a era do streaming oferecendo tudo o que você deseja a um clique de distância e sem precisar levantar do sofá para ter acesso a uma infinidade de conteúdos.

As videolocadoras tiveram o seu fim e a mídia física, aos poucos, foi sendo deixada de lado e se tornando cada vez mais um produto de nicho e elitista.

As vendas de DVDs foram caindo, o blu-ray não foi o sucesso que se esperava em território nacional, a Netflix foi ganhando cada vez mais espaço dentro dos lares e o “TUDUM” característico da marca era ouvido a cada esquina.

E agora chegamos ao xis da questão que deixei lá no começo do texto. Hoje em dia, temos total ciência de que a Netflix, por exemplo, vai renovando o seu catálogo de tempos em tempos e, do dia pra noite, diversos filmes e séries são retiradas do ar.

É claro que isso acontece, principalmente, por causa do encerramento dos contratos com os estúdios proprietários das obras ou, em alguns casos, após o tempo de licença para exibição do produto na plataforma expirar.

Porém, com o surgimento de tantos outros streamings, o conteúdo vai ficando cada vez mais fragmentado em plataformas diversas e o consumidor vai precisando contratar mais e mais serviços para ter acesso ao conteúdo que deseja.

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Plataformas de Streaming

Mas e nos casos de filmes (ou séries) que não entram nesses catálogos e nem em nenhum outro tipo de serviço on demand? Como teríamos acesso a eles? Estariam eles perdidos para sempre? E é aqui onde a mídia física entra, garantindo uma espécie de “sobrevida” para a produção e o mais importante, evitando que ela caia no esquecimento e se perca o acesso à ela.

Hoje em dia já existem diversos filmes que são extremamente difíceis de encontrar na internet e olha que vivemos na era digital onde tudo supostamente deveria estar a nossa disposição com uma simples pesquisa. E com essa dificuldade e falta de disponibilidade de maneira legal e dentro da lei, alguns consumidores se arriscam a acessar as produções de forma ilegal, colocando em risco a segurança de seus dispositivos.

Por mais que existam filmes que até hoje nos questionemos o porquê deles terem sido feitos (sem contar alguns com qualidade extremamente duvidosa), ainda assim, eles trazem a sua parcela de significado dentro da história do cinema e merecem que estejam disponíveis para serem consultados seja para métodos do tipo “o que não fazer” como também para entendermos questões mais profundas sobre como devemos utilizar as linguagens e formas que temos acesso para contar histórias da maneira mais assertiva possível.

Além disso, a mídia física traz um plus que nenhum outro serviço de streaming oferece. Com um DVD ou Blu-ray você não tem acesso apenas ao filme, você também tem acesso a diversos conteúdos especiais quase sempre focados no processo de produção, possibilitando aos mais curiosos entender como aquele filme foi feito, quais desafios a equipe precisou enfrentar, além de mini documentários, entrevistas com o elenco, erros de gravação, cenas deletadas e, por vezes, até jogos interativos.

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Menu internacional com parte dos extras disponíveis no DVD “E.T: O Extraterrestre Edição de Colecionador”

Hoje, inclusive, existem edições que passam da 1h de duração só contando os extras disponíveis e isso, além de não ser algo que você encontre em qualquer lugar, enriquece a experiência daquele que possui tal produto. Tudo bem que o Disney+ tem disponibilizado em seu catálogo alguns conteúdos bônus de suas produções como making of, por exemplo, mas ainda assim não é a mesma coisa.

Sem contar que, uma vez adquirida, essa mídia física é sua, te dando a possibilidade de rever quantas vezes quiser, sem gerar nenhum custo adicional e, se conservada da maneira adequada, permanecerá intacta e passível de uso por tempo indeterminado.

Diferente do streaming que, por mais que esteja ali ao seu dispor no primeiro momento, você poderá sofrer uma interrupção abrupta e, com isso, não conseguir finalizar aquela história que estava acompanhando, casos muito comuns quando falamos de séries extensas, por exemplo.

É inevitável que em algum momento no futuro o fim da mídia física seja anunciado, mas apesar de muitos acharem que isso já aconteceu, faço questão de deixar claro que não e que esse mercado ainda permanece vivo (e a todo vapor).

Quero frisar também que, de forma alguma, essa resenha foi produzida para atacar as redes de streamings nem nada desse tipo, até por que sou só mais um dentre os milhões de consumidores desses serviços, mas também permaneço fiel a minha coleção que vem sendo construída a mais de 10 anos e que está longe de acabar tendo em vista que ainda tem centenas de títulos que desejo adquirir.

Esse texto foi produzido essencialmente para mostrar que mesmo que muitos achem uma grande bobagem tudo isso, esse material tem um valor único e que nenhum outro tipo de disponibilização poderá recriar e por isso é tão importante que ele continue sendo fabricado e posto a venda até quando for possível, porque se um dia ocorrer uma pane mundial no sistema digital, apenas a mídia física poderá nos salvar.

Texto Elaborado por Jamerson Nascimento.


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